Sinalizações de Biden sobre retirar tributos cobrados de produtos chineses e de Lagarde a respeito do aumento de juros dão impulso aos mercados. Ibovespa retorna aos 110 mil ponto O dólar fechou com forte queda ante o real, chegando a bater a casa dos R$ 4,78, e a Bolsa subiu nesta segunda-feira. Os ativos domésticos …
? CENÁRIO ECONÔMICO | Dólar cai 1,44% e fecha no menor valor em mais de um mês; Bolsa sobe, com exterior positivo. Veja um resumo do atual cenário econômico mundial

Sinalizações de Biden sobre retirar tributos cobrados de produtos chineses e de Lagarde a respeito do aumento de juros dão impulso aos mercados. Ibovespa retorna aos 110 mil ponto
O dólar fechou com forte queda ante o real, chegando a bater a casa dos R$ 4,78, e a Bolsa subiu nesta segunda-feira. Os ativos domésticos acompanharam o ambiente mais positivo para os mercados acionários no exterior.
Entre os destaques no dia estiveram sinalizações da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, sobre alta de juros no terceiro trimestre e do presidente americano Joe Biden a respeito da tributação de produtos chineses.
O dólar teve baixa de 1,41%, negociado a R$ 4,8044 após atingir a mínima de R$ 4,7853. O câmbio acompanhou o movimento da divisa no exterior, que se desvalorizou diante da procura por risco e da valorização do euro.
O euro se valorizou1,13% ante o dólar, cotado a US$ 1,0687.
É a cotação de fechamento mais baixa desde o pregão do dia 20 de abril, quando a divisa terminou cotada em R$ 4,6194.
— Isso (sinalização de Lagarde) fez com que o euro fosse uma das moedas que mais apreciasse durante o dia e trouxe em rebote todas as moedas tanto exportadores de commodities quanto as emergentes. A performance ainda mais positiva do real foi estimulada pela conjunção de fatores locais, como o diferencial de juros alto e ausência de notícias negativas — disse o gestor da Galápagos, Fábio Guarda.
Após semanas de forte valorização do dólar, o real conseguiu se apreciar nos últimos pregões. Para o gestor da Galápagos, há espaço para a moeda local se valorizar mais. Já na comparação com moedas de economias desenvolvidas, a tendência é que o dólar continue forte.
— Não na velocidade que tínhamos visto em um passado recente. Mas não havendo grandes ruídos internos, como eleições e fiscal, podemos ver um real mais valorizado.
O Ibovespa teve alta de 1,71%, aos 110.346 pontos. O principal índice da B3 foi ajudado pelas alta firme de empresas de commodities e do setor financeiro. O desempenho positivo dos mercados americanos também contribuiu para o movimento.
O Ibovespa não fechava no patamar dos 110 mil pontos desde o pregão do dia 25 de abril, quanto terminou na faixa dos 110.685 pontos.
O assessor de investimentos da Ável, Pedro Gonçalves, destaca que o apetite favorável ao risco no exterior e a alta de commodities importantes, como o petróleo e o minério de ferro, deram impulso ao mercado local.
— Observamos o avanço de commodities, que acabaram beneficiando as divisas de exportadores de matérias-primas. A China também tem apresentado estímulos e a questão do Covid-19 impactando um pouco menos tende a calhar bem.
Biden acena para China
Durante sua primeira viagem oficial à Ásia, Biden acenou para a China, afirmando que avalia retirar tributos cobrados de produtos chineses importados pelos EUA.
Após promover um corte de juros no exterior, o governo chinês definiu um conjunto de 33 medidas para apoiar a economia em meio a sucessivos lockdowns para conter a Covid-19, segundo reportagem da Rádio Nacional da China.
As medidas contemplam seis eixos e têm por objetivo evitar que o freio na economia se aprofunde, uma das preocupações dos mercados nas últimas semanas.
BCE: juros no foco
Ainda assim, as preocupações sobre os impactos da inflação elevada e das altas nas taxas de juros por parte dos bancos centrais para a economia global seguem no radar.
A presidente do BCE sinalizou que a autoridade monetária está a caminho de elevar sua principal taxa básica de juros de volta a zero até o fim de setembro.
Lagarde escreveu em um blog, nesta segunda-feira, que “com base nas perspectivas atuais”, a instituição “provavelmente estaria em posição de sair das taxas de juros negativas até o final de o terceiro trimestre”.
A taxa de depósito está em menos 0,5% e permanece em território negativo desde 2014, quando a região enfrentava uma crise de dívida soberana. Após a sinalização, o euro voltava a se valorizar.
A presidente do BCE está enfrentando uma pressão crescente para acelerar a retirada de sua política monetária acomodatícia para combater a inflação recorde da zona do euro. A maioria dos analistas agora espera que o banco eleve as taxas em pelo menos 0,25 ponto percentual em sua reunião de julho.
Para Guarda, o momento da alta de juros na zona do euro dependerá de como estiverem as condições de mercado daqui para frente.
— Se o nível de volatilidade externa continuar alto, pode ser que postergue um pouco esse movimento.
E por falar em inflação, ela será observada de perto durante a semana, com as divulgações da prévia da inflação de maio no Brasil e do índice de preços com consumo para o mês de abril nos Estados Unidos.
Na quarta-feira, ocorre a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, Banco Central americano. Na ocasião, o Fed aumentou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, maior elevação em mais de 20 anos.
O documento é aguardado pelo mercado, que busca sinalizações de como irá prosseguir o ciclo de aperto monetário do banco.
Commodities impulsionam Ibovespa
Impulsionados pelo avanço do minério de ferro e do petróleo no exterior, os papéis de petroleiras e do setor de mineração e siderurgia tiveram fortes altas.
O movimento de alta do minério ocorreu depois que a Índia, que fornece minério de ferro para a China, aumentar as tarifas de exportação da commodity e concentrados para conter as crescentes pressões inflacionárias.
Entre as ações, as ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) subiram 3,69% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 3,93%.
As ordinárias da PetroRio (PRIO3) e da 3RPetroleum (RRRP3) avançaram 2,71% e 2,73%, respectivamente.
— Na parte de petróleo, a expectativa de retomada de demanda pela reabertura de Xangai dá um impulso — disse Gonçalves.
As ordinárias da Vale (VALE3) avançaram 2,04% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 3,98%.
As preferenciais da Usiminas (USIM5) subiram 3,62%.
No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) tiveram altas de 2,59% e 1,63%, respectivamente. As ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 4,22% e units do Santander (SANB11), 2,51%.
Petróleo sobe
Após operarem com volatilidade ao longo do dia, os preços dos contratos futuros do petróleo fecharam com altas. O movimento foi influenciado pela forte queda do dólar no dia e pelo otimismo em relação à demanda chinesa, após os comentários de Biden
O contrato para julho do petróleo tipo Brent subiu 0,77%, negociado a US$ 113,42, o barril.
Já o contrato para o mesmo mês do tipo WTI subiu 0,01%, cotado a US$ 110,29, o barril.
Bolsas no exterior
As bolsas americanas fecharam em alta, recuperando apenas parte das fortes perdas recentes. O índice Dow Jones subiu 1,98% e o S&P, 1,86%. Em Nasdaq, ocorreu avanço de 1,59%.
Na Europa, as bolsas fecharam com altas. A Bolsa de Londres subiu 1,67% e a de Frankfurt, 1,38%. Em Paris, ocorria avanço de 1,17%.
As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, subiu 0,98%. Em Hong Kong, houve baixa de 1,19% e, na China, alta de 0,01%.
* Com agências internacionais











