Na manhã do dia 02 de fevereiro, o jornalismo brasileiro e mundial acordou com a notícia da perda de uma das suas maiores profissionais e ícone de TV, Glória Maria. A jornalista faleceu no Rio de Janeiro. “É com muita tristeza que anunciamos a morte de nossa colega, a jornalista Glória Maria”, informou a TV …
???? Glória Maria, jornalista pioneira e sem fronteiras, falece aos 74 anos

Na manhã do dia 02 de fevereiro, o jornalismo brasileiro e mundial acordou com a notícia da perda de uma das suas maiores profissionais e ícone de TV, Glória Maria.
A jornalista faleceu no Rio de Janeiro. “É com muita tristeza que anunciamos a morte de nossa colega, a jornalista Glória Maria”, informou a TV Globo, em nota.
Em 2019, Glória foi diagnosticada com um câncer de pulmão. O tratamento com imunoterapia teve sucesso. Depois, ela sofreu metástase no cérebro, que também pôde, inicialmente, ser tratada com êxito por meio de cirurgia, mas os novos tratamentos não avançaram.
“Em meados do ano passado, Glória Maria começou uma nova fase do tratamento para combater novas metástases cerebrais que, infelizmente, deixou de fazer efeito nos últimos dias, e Glória morreu esta manhã, no Hospital Copa Star, na Zona Sul do Rio”, afirma o comunicado.
Em dezembro do ano passado, a decana do jornalismo global foi afastada da apresentação do “Globo Repórter” para cuidar de sua saúde.
Não tinha sido o primeiro afastamento dela por razão médica. Glória Maria chegou a ficar afastada por quase dois anos da apresentação do programa por conta de, inicialmente, uma licença médica para operar um tumor no cérebro, no final de 2019, e depois por conta da pandemia da Covid-19.
PIONEIRISMO
Glória Maria transformou o mercado da comunicação. Ela foi a primeira repórter negra da TV brasileira, ainda em 1971, época em que os profissionais não apareciam em vídeo, e em 1976, foi a responsável por efetuar a primeira entrada ao vivo e a cores no Jornal Nacional na TV brasileira.
Em relato ao Memória Globo, ela relembrava que a iluminação para fazer o link ao vivo queimou faltando um minuto para a entrada ao vivo.

“Eu estava dura, rígida, porque não podia errar. Era a primeira entrada ao vivo. Faltavam cinco, dez minutos, era o técnico que ficava com o fone para me dar o ‘vai’. Quando a lâmpada queimou, faltava um minuto para a entrada ao vivo. O jeito foi acender a luz da Veraneio (carro usado pela emissora nas reportagens)”, contou a jornalista.
Mais tarde em 2077, Glória Maria também esteve na primeira transmissão em HD da TV brasileira pelo Fantástico, além de ter colecionado mais de 100 países visitados. Cobriu a guerra das Malvinas, em 1982, a invasão da embaixada brasileira no Peru por um grupo terrorista, em 1996, os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, por exemplo.
Fez entrevistas com diversos chefes de Estado – inclusive contava que o ditador militar João Figueiredo a tinha como desafeto.
Outro marco na carreira de Glória Maria foram as entrevistas realizadas com grandes celebridades, como Freddie Mercury, Elton John, Mick Jagger e Michael Jackson – ela foi, inclusive, a única jornalista que conseguiu conversar com o rei do pop no dia da gravação do clipe “They Don’t Care About Us” no Rio de Janeiro.

VOLTA AO MUNDO NO GLOBO REPÓRTER
Após 10 anos no Fantástico, Glória Maria tirou dois anos de licença para se dedicar a projetos pessoais, como as viagens à Índia e à Nigéria, onde trabalhou como voluntária. Nesse período, adotou as meninas Maria e Laura e, ao retornar à Globo, em 2010, pediu para integrar a equipe do Globo Repórter, programa do qual faz parte até hoje.

Estreou com a matéria “Brunei Darussalam: A Morada da Paz”; um ano depois fez “Brunei, O País da Felicidade” – as duas matérias sobre o pequeno sultanato no Sudeste Asiático, na fronteira com a Malásia.
Em 2010, esteve no Grand Canyon, nos Estados Unidos, quando andou de balão e desceu de bote o Rio Colorado. No mesmo ano fez Duas Chinas, também para o Globo Repórter, e apresentou ainda o especial de Roberto Carlos na Praia de Copacabana.
Glória foi escolhida pelo Rei para a entrevista que concedeu em sua residência e na qual ele acabou cantando para ela. Em 2011, apresentou o show que o cantor fez em Jerusalém. Na ocasião, Roberto Carlos tirou a apresentadora para dançar.
Em 2012, a jornalista mostrou o Oásis da paz em Omã e fez um passeio com camelos pelo deserto. Logo depois, passou por Dubai.

A França foi um dos países visitados em 2013. Na ocasião, foram exibidas as belezas do Vale do Loire, Champagne e Provence. No mesmo ano, revelou a cultura e os costumes dos moradores do Vietnã, Laos e Camboja. Passou também por Myanmar, no sul da Ásia, onde fez reportagens sobre o misticismo na região.
As paisagens do Reino Unido, Suécia e Lapônia foram temas do Globo Repórter em 2014.
No ano seguinte, a jornalista mostrou as belezas de Marrocos, como a cidade azul, Marrakesh, os encantadores de serpente e a colheita do argan feita pelas cabras. Cruzou o deserto do Saara em um dromedário e mostrou a vida dos povos nômades.
Em 2016, visitou a Jamaica, onde teve a oportunidade de entrevistar o campeão mundial de atletismo Usain Bolt e participou dos rituais de uma comunidade rastafári.
Em 2017, Glória Maria foi à China e fez matérias em Hong Kong, onde cuidou de um panda gigante, e pulou do mais alto bungee-jump do mundo em Macau, com 233 metros de altura.

Em setembro de 2019, Sérgio Chapelin se aposentou, após 23 anos no Globo Repórter. A partir daquele mês, Glória Maria passou a dividir a apresentação do programa com a jornalista Sandra Annenberg.

INICIO DE CARREIRA E VIDA
Glória Maria Matta da Silva nasceu no Rio de Janeiro, filha do alfaiate Cosme Braga da Silva e da dona de casa Edna Alves Matta.
Estudou em colégios públicos, onde aprendeu inglês, francês e latim.
Enquanto cursava Jornalismo na PUC-Rio, chegou a conciliar os estudos com o emprego de telefonista da Embratel.

Em 1970, foi levada por uma colega para ser rádio-escuta da TV Globo no Rio.
Na Globo, tornou-se repórter numa época em que os jornalistas ainda não apareciam no vídeo. A estreia como repórter foi em 1971, na cobertura do desabamento do Elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro. “Quem me ensinou tudo, a segurar o microfone, a falar, foi o Orlando Moreira, o primeiro repórter cinematográfico com quem trabalhei”.

Glória Maria trabalhou no Jornal Hoje, no RJTV e no Bom Dia Rio. Coube a ela a primeira reportagem do matinal local, há 40 anos, sobre a febre das corridas de rua. E foi na Rede Globo que permaneceu trabalhando pelo resto da vida.
SEM FRONTEIRAS
Revolucionaria e sem fronteiras, seja com o passaporte recheado de carimbos, ou sendo a primeira jornalista brasileira a experimentar a gravidade zero, abrindo portas no mercado jornalístico, é certo dizer que no dia de hoje (02/02/2023), celebramos a vida de um grande exemplo para todo comunicólogo, um verdadeiro norte e inspiração para uma geração de profissionais, um ícone que trilhou um grande caminho para um legado eterno e imenso.
Glória despertou em muitos a admiração pelo jornalismo e a arte de contar histórias, entrando na rotina de milhares de brasileiros, a eterna personalidade se consagrou um símbolo da história do Brasil, não só pelo trabalho admirável, mas como também um parâmetro de força e certeza de que mulheres podem chegar a lugares que antes era inimagináveis.

Com informações de G1 e CNN Brasil
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