Coluna 10 de @study.fraiji
Tema: A intolerância dos tolerantes

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Gabriel
CEO do Foco no Fato. Engenheiro Civil, pós graduado em Pavimentação de Estradas e Rodovias e realizando um MBA em Gestão Empresarial pela FGV.

“Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante.” Karl Popper, filósofo e professor nascido na Áustria no começo do século XX.

Vamos dar uma volta na história para a ascensão do regime nazista na década de 1930. Ao contrário do que alguns podem pensar, Hitler e seu partido alcançaram o poder de forma democrática a partir da maioria no parlamento. E sim, o seu livro “Mein Kampf”, no qual ele expunha todas as suas ideias nocivas e inexplicavelmente perturbadoras já era um best-seller nessa época. Agora, digam-me: como alguém como ele pôde usar da democracia para formar um império totalitário? Não é aterrorizante pensar que qualquer pessoa pode manipular os seus seguidores e construir o que Hitler conseguiu dentro do regime democrático, o qual tem sido tão aclamado e idealizado especialmente após a Revolução Francesa, em 1789?

Você talvez se pergunte: todos os países do mundo viram isso, mas não fizeram nada? Na verdade, sim, a Liga das Nações, o protótipo claramente falho da Organização das Nações Unidas, tentava deter o crescimento nazifascista de forma diplomática, por meio do encontro entre os líderes, entraves, multas, porém nada disso adiantou.

Karl Popper, o filósofo que escreveu a citação do começo da coluna, foi um dos que analisou e tentou entender o século XX, a era do totalitarismo, das guerras e da falta de paz. Partindo disso, ele formulou a tese de que existiam três paradoxos na sociedade, dos quais, só irei abordar um: o Paradoxo da Tolerância. Ele defende que a tolerância ilimitada provocará o desaparecimento da tolerância, pois no momento em que estendemos a tolerância àqueles que são intolerantes, então os tolerantes são destruídos. Pelo seu pensamento, não devemos tolerar os intolerantes e sim, devemos reivindicar o direito de suprimi-los até pela força, se os nossos argumentos não funcionam. Por que é que os tolerantes devem sofrer nas mãos daqueles que não respeitam a pluralidade de pensamentos? Liberdade? Eu acho que não. A liberdade de uns não pode eliminar a de outros.

Dessa forma, percebe-se o quão atuais, relevantes e extremamente necessárias são as reflexões que Popper traz para nós nos dias de hoje. Sejamos mais justos e escolhamos escutar mais o nosso próximo e mesmo que não concordemos – nem precisamos -, que possamos sempre respeitá-lo e as nossas diferenças.

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