Coluna número 16 de @daniilo_amoriim
Tema: Coronavírus faz educação a distância esbarrar no desafio do acesso à internet e da inexperiência dos alunos

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Gabriel
CEO do Foco no Fato. Engenheiro Civil, pós graduado em Pavimentação de Estradas e Rodovias e realizando um MBA em Gestão Empresarial pela FGV.


Sem aulas, estabelecimentos de ensino têm adotado a educação a distância (EAD), com uso de computadores e atividades complementares, para dar continuidade à aprendizagem das crianças.

O aumento no número de casos de corona vírus no Brasil levou à suspensão de aulas da rede pública e privada em todo o país. A medida serve para evitar aglomerações e deslocamentos. Segundo autoridades de saúde, uma das melhores formas de parar a transmissão de casos é ficar em isolamento social.


Sem aulas, estabelecimentos de ensino têm adotado a educação a distância (EAD), com uso de computadores e atividades complementares, para dar continuidade à aprendizagem das crianças.


No entanto, nem todos os estudantes do país têm acesso a computadores e à internet de qualidade. Outro problema é manter a concentração de crianças mais novas, enquanto os pais também trabalham em casa.


Segundo a Unicef, 154 milhões de estudantes estão sem aulas na América Latina e Caribe. A entidade alerta que a situação poderá se estender, e há risco de abandono escolar definitivo.


Acesso à internet


Uma pesquisa divulgada em 2019 aponta que 58% dos domicílios no Brasil não têm acesso a computadores e 33% não dispõem de internet. Entre as classes mais baixas, o acesso é ainda mais restrito. A pesquisa foi feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), entre agosto e dezembro de 2018. Os dados apontam que, nas áreas rurais, nem mesmo as escolas têm acesso à rede mundial de computadores: 43% delas afirmavam que o problema é a falta de infraestrutura para o sinal chegar aos locais mais remotos.


“A gente gosta de dizer que crianças convivem com internet, com computadores, que elas são letradas na realidade virtual, mas a gente esquece que essas crianças são de classe média. As mais pobres não têm acesso fácil como a gente gosta de imaginar”, afirma Alexsandro Santos, doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e coordenador do Curso de Pedagogia da Faculdade do Educador.


Ele ressalta que, mesmo quando estão conectados, o acesso à internet é feito por meio de celular, que não é um instrumento mais adequado para acompanhar ou fazer as atividades da escola.


EAD no ensino fundamental


Para crianças mais novas, que estão no ensino fundamental (do 1º ao 9º ano), a EAD é permitida em situações emergenciais. O Ministério da Educação informou em nota ao G1 que deverá regular a atividade por 30 dias, prorrogáveis, ainda nesta semana.


“A ação tem caráter excepcional e valerá enquanto durar a situação de emergência de saúde pública por conta do corona vírus. A adesão por parte das instituições é voluntária”, afirma o MEC.


O desafio de pais e tutores será manter o foco e atenção das crianças em casa, principalmente as menores, enquanto também trabalham. Iniciativas do governo federal para regulamentar a educação em casa (homeschooling) não avançou no congresso.


Para Alexsandro Santos, doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e coordenador do Curso de Pedagogia da Faculdade do Educador, é importante pensar sobre o grau de independência que uma criança tem para estudar acompanhando uma plataforma virtual, já que o modelo de ensino tradicional abre pouco espaço para a autonomia dos estudantes.


“A interação que as crianças têm no mundo virtual, normalmente, é bastante passiva. Quando a gente está chamando elas para uma interação de ensino aprendizagem, a gente precisa que elas atuem, que sejam ativas nessa interação com a plataforma. Mesmo quando a gente pensa em crianças mais velhas – como os adolescentes de 12, 13 anos –, é importante se perguntar se a gente preparou essa geração para construir hábitos de estudos autônomos”, afirma Santos.


Felipe Zancarli, coordenador de Tecnologia Educacional do Salesiano Santa Teresinha, também considera que a falta de maturidade de alunos dessa faixa etária para tocar as atividades por conta própria pode ser um problema. Para ele, o suporte dos pais no dia a dia será fundamental.


Convivência entre crianças


Durante a pandemia, pais e responsáveis terão que driblar uma das funções da escola, que é ser a de espaço de convivência com outras crianças. Em tempos de isolamento social, a convivência terá que ser adaptada.


Para quem pode, é possível fazer videoconferência entre os coleguinhas, para que as crianças se vejam neste período.
No Amazonas, as aulas pela TV aberta existem há 13 anos, transmitidas ao vivo diariamente, via satélite, para as comunidades ribeirinhas e rurais. O estado também mantém um centro de mídia com conteúdo em plataformas virtuais. Com a pandemia, o formato foi ampliado.


Pela experiência acumulada, o Amazonas está fechando cooperações com outros estados do país para auxiliar na implementação das aulas remotas ou cooperar disponibilizando conteúdo. O termo já foi assinado com o estado de São Paulo e deverá ser fechado com Espírito Santo e Sergipe, segundo a secretaria de educação do Amazonas. Outros estados que buscaram consultoria com o AM foram Santa Catarina, Paraná, Pernambuco e Acre, por exemplo, além do Distrito Federal.


“Precisamos lembrar que os nossos lares não dão conta sozinhos do processo de sociabilização, proteção e cuidado. Muitas vezes, a escola é o lugar onde as crianças comem direito, onde as crianças aprendem a utilizar as ferramentas sociais de convívio, onde as crianças podem contar situações difíceis que estão passando em suas casas. Mesmo que a gente tivesse todas as condições tecnológicas, eu ainda diria que a escola presencial é fundamental para garantir outros direitos para as crianças” – Alexsandro Santos, doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e coordenador do Curso de Pedagogia da Faculdade do Educador.

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