CRISE DEMOGRÁFICA

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Julio Gadelha
Secretário da Redação e Analista Profissional de Marketing formado pelo Uninorte-AM

Nesta segunda-feira(31), a China aumentou o número de filhos que os casais podem legalmente ter, de 2 para 3, em um esforço para evitar uma crise iminente enquanto a taxa de natalidade no país mais populoso do mundo cai constantemente.

O país de 1,4 bilhão de habitantes, que introduziu uma política do filho único em 1980 para desacelerar o crescimento populacional, implementou algumas das práticas de planejamento familiar mais invasivas do mundo. Mas com o envelhecimento da força de trabalho do país, o governo aumentou o tamanho legal das famílias.

Dê uma olhada na política populacional da China, conforme abordada ao longo das décadas pelo jornal de The New York Times.

1978

Com as políticas fracassadas do Partido Comunista da Revolução Cultural e do Grande Salto. Concomitante a isso, a China busca maneiras de desacelerar o crescimento da nação mais populosa do mundo, que está perto de um bilhão de pessoas.

O governo central aprova uma proposta na qual os escritórios de planejamento familiar incentivam os casais a ter um filho, ou no máximo dois. Algumas áreas vão além e começam a impor a regra do “filho único”.

1979

Uma conferência nacional de autoridades de planejamento familiar promove propostas para que os casais se restrinjam a ter um filho, e a mídia estatal promove a ideia. As províncias chinesas experimentam medidas para conter o crescimento populacional, incluindo o fornecimento de rações alimentares adicionais para casais na província de Sichuan que prometem ter apenas um filho.

1980

O Partido Comunista ordena que seus 38 milhões de membros tenham apenas um filho, uma de uma série de medidas que se expandem gradualmente e que visam reduzir o crescimento populacional a zero até o ano 2000. A política começa a ser aplicada em todo o país, com algumas exceções feitas para minorias étnicas e famílias rurais.

1982

O Congresso Nacional do Povo endossa uma nova Constituição que pela primeira vez consagra o controle da natalidade como dever de todo cidadão chinês.

2003

Na província de Guangxi, onde os regulamentos de planejamento familiar são rigorosamente cumpridos, os pais que procuram filhos vendem suas filhas no mercado negro. Na época, 80% dos bebês traficados eram meninas, de acordo com um acadêmico chinês.

2008

As autoridades chinesas dizem que começarão a estudar como se afastar da restrição do filho único no país, mas alertam que quaisquer mudanças virão gradualmente e não significariam a eliminação das políticas de planejamento familiar. Embora a aplicação da política tenha diminuído em muitos lugares, ainda há relatos de esterilizações e abortos forçados.

2014

O governo chinês facilita a política do filho único, permitindo que casais em todo o país tenham dois filhos se um dos cônjuges for filho único.

2015

A China acaba com a política do filho único, anunciando que todos os casais poderão ter dois filhos, em uma tentativa de reverter o rápido envelhecimento da força de trabalho.

2020

Acadêmicos chineses alertam os líderes do país que iniciativas de planejamento familiar de décadas levaram a um declínio abrupto no crescimento populacional, preparando o cenário para potenciais crises demográficas, econômicas e até políticas em um futuro próximo.

O declínio na taxa de natalidade, junto com um aumento na expectativa de vida, significa que em breve haverá muito poucos trabalhadores para sustentar uma população enorme e envelhecida, alertam os pesquisadores.

2021

O Politburo, o principal órgão de tomada de decisões do Partido Comunista, anuncia que permitirá que todos os casais chineses tenham três filhos, acabando com a política de dois filhos que não conseguiu aumentar a taxa de natalidade em declínio do país. A notícia chega semanas depois que os dados do censo mostram que houve apenas 12 milhões de nascimentos no ano anterior, o menor número desde 1961.

A nova política vai “ajudar a melhorar a estrutura populacional do nosso país e ajudar a implementar uma estratégia nacional para responder ativamente ao envelhecimento da população”, afirma o governo.

A tal política do filho único, controversa, até seus últimos dias. Começa a demonstrar seus efeitos negativos. Em um país que por 30 anos ordenou poucos nascimentos para controlar sua população e progredir. Enfrente um dilema e tanto, hoje os filhos indesejados e proibidos por lei. Fazem falta nas lavouras, nas indústrias e nos escritórios chineses. E agora quando se mais precisa do povo ele está envelhecendo e não se terá uma nova geração para substituir.

Os tempos mudaram as mulheres estão como nunca no mercado de trabalho inseridas. Se empoderaram e não desejam mais ter tantos filhos. Os custos de vida são altos nas capitais chinesas, faltam creches, faltam incentivos, faltam tempo para os chineses acostumados a longas jornadas de trabalho. E de acordos com a tendência mundial, as taxas de natalidade tendem a cair, mesmo com flexibilizações, o povo ainda segue a risca o que foi pregado por tantos anos e acredita que realmente só um filho basta. 

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