Coluna 07 de Senador Plínio Valério | Tema: As quadrilhas de piratas e a insegurança nos rios do Amazonas

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Luyza Rodrigues
Redatora e Universitária de Jornalismo pela UniNorte - AM

São gravíssimos os problemas da Amazônia, como a pobreza endêmica que a torna um dos piores lugares para ser criança no mundo, como a cobiça internacional, o desmatamento, o garimpo irregular e as invasões. Assuntos que sempre trato na tribuna do Senado, em entrevistas e em artigos. Agora, porém, ressurge uma praga: a intensificação da pirataria de rio.

Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, esses piratas já realizaram quatro abordagens e assaltos a embarcações que transportam cargas e combustíveis nos rios do Amazonas. Essas quadrilhas organizadas levaram, apenas em gasolina e óleo diesel, mais de 1,5 milhão de litros.

Esses números constam de levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas, o Sindarma, e escancaram a alarmante situação em que se encontra a falta de segurança no transporte entre os municípios do interior do Estado. É bom lembrar que esses combustíveis por lá não são utilizados para carros de passeio, mas principalmente para o abastecimento de postos e para as usinas geradoras de energia a diesel. É um problema a mais para nossa população, que depende do diesel para ter acesso à eletricidade e, assim, utilizar geladeiras, televisão e até lâmpadas acesas.

Os ataques dos piratas de rio não são uma novidade. Novidade é sua intensificação. Ainda de acordo com o Sindarma, a situação é mais alarmante se comparada aos números de 2021, quando nos doze meses foram registradas oito ocorrências.

Cito o presidente do Sindarma, Galdino Alencar: “em apenas quatro meses já chegamos na metade das ocorrências do último ano, e ainda nem estamos na época mais crítica, quando os rios estão mais secos e a navegabilidade fica prejudicada em vários trechos, o que facilita a ação dos piratas”.

O que mais alarma é a dimensão das quadrilhas de piratas. No maior dos roubos registrados este ano, um grupo de 28 assaltantes invadiu uma embarcação no município de Manicoré, no dia 28 de janeiro, e transferiu para suas embarcações ilegais, 1 milhão de litros de óleo diesel. Agiu com violência, mantendo a tripulação refém por dois dias, sob ameaças e agressões físicas.

Na mesma data, outra embarcação que transportava 91 mil litros de gasolina e óleo diesel também foi abordada e assaltada na comunidade Paraná do Espírito Santo, no município de Parintins, a mais de 700 quilômetros do primeiro incidente. Além de levar o combustível, os cinco criminosos armados agrediram a tripulação com coronhadas e depois manteve a equipe trancada por 12 horas em um único camarote.

A violência é a marca desses piratas. Em outro assalto nos primeiros dias deste ano, na região de Itacoatiara, além de levarem quase 500 mil litros de combustível, os criminosos navegaram com a tripulação presa na cozinha da embarcação até as proximidades do município de Borba, a mais de 200 quilômetros, onde as vítimas conseguiram registrar o Boletim de Ocorrência.   

No mais recente caso, registrado há pouco mais de uma semana em frente à orla de Manaus, dois tripulantes de um bote de apoio de um empurrador foram obrigados a sair da pequena embarcação e deixados na Ilha do Marapatá até serem resgatados enquanto os ladrões fugiram levando o barco.

Mais sério ainda, há registros de mortes. E casos até de morte em combate. Em novembro passado, o Comando do 9º Distrito Naval notificou um tiroteio que acabou com a morte de um oficial. Além disso, foram baleadas outras quatro pessoas: um outro militar e três tripulantes de uma embarcação que estava sendo abordada pelo navio-patrulha fluvial Rondônia. O confronto ocorreu na foz do Rio Uatumã, na região da usina hidrelétrica de Balbina. No ano anterior, dois barqueiros foram assassinados e o filho de um deles, de 12 anos, colocado em um bote e deixado no Rio.  

Uma dificuldade adicional é que a prevenção e o combate à pirataria dependem em grande parte da iniciativa privada. Revela o Sindarma que as empresas de navegação têm investido um grande montante de recursos próprios para manter a regularidade no abastecimento do produto aos municípios do interior do estado.

São as empresas que contratam e financiam escoltas de segurança para acompanhar os navios, organizados em comboios. São também elas que organizam o monitoramento das embarcações, via satélite, 24 horas por dia em seu percurso nos rios.

Esses esforços, porém, revelam-se ainda incapazes de deter a pirataria. Como diz Galdino Alencar, o presidente do Sindarma, as iniciativas não são suficientes, porque os piratas seguem agindo livremente em todo o estado. Eles estão preparados e fortemente armados para qualquer situação. Isso torna evidente a necessidade da presença constante das forças de segurança estadual e federal para coibir efetivamente os crimes.

O custo das medidas adotadas pelas empresas para proteção de suas embarcações e cargas será inevitavelmente incorporado aos preços finais. Feitas as contas, quem pagará pela pirataria será, mais uma vez, a população – a população pobre das barrancas dos rios da Amazônia. 

Senador Plínio Valério (PSDB-AM)

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