BR-319: Estrada vira palco de expedição eleitoral de Braga e Aziz enquanto população segue no atoleiro

A BR-319, estrada que há décadas se tornou sinônimo de abandono e promessa política, volta ao noticiário com a “expedição” liderada pelos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM). A caravana, que percorre trechos críticos entre Manaus e Humaitá, é apresentada como um esforço de fiscalização, mas para muitos soa como mais um capítulo …

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A BR-319, estrada que há décadas se tornou sinônimo de abandono e promessa política, volta ao noticiário com a “expedição” liderada pelos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM). A caravana, que percorre trechos críticos entre Manaus e Humaitá, é apresentada como um esforço de fiscalização, mas para muitos soa como mais um capítulo da velha estratégia de ganhar visibilidade em cima de um problema histórico que nunca se resolve.

Os números são claros e revelam a distância entre o discurso e a execução: a BR-319 tem cerca de 820 km, sendo que o trecho do meio, com aproximadamente 480 km, é o grande desafio. Se fossem pavimentados 48 km por ano, seriam necessários dez anos ininterruptos para concluir apenas essa parte. Para isso, o governo teria que executar 8 km por mês durante os seis meses de verão — uma meta que nunca foi alcançada em nenhuma gestão.
Em vez de um planejamento de longo prazo, o que se vê, ano após ano, são operações pontuais de asfaltamento apresentadas como grandes marcos, mas incapazes de alterar a realidade.

A situação das pontes reforça o descrédito. Em setembro de 2022, a ponte sobre o rio Curuçá desabou e matou quatro pessoas, mesmo após alertas técnicos ignorados pelo DNIT. Duas semanas depois, a ponte sobre o rio Autaz-Mirim também caiu, interrompendo o abastecimento de comunidades inteiras.
Três anos depois, nenhuma solução definitiva foi entregue. Se nem estruturas isoladas recebem a devida atenção, o que esperar de um projeto de pavimentação de 480 km em plena floresta amazônica?

Braga e Aziz, ao lado de outros aliados, percorrem a rodovia mostrando atoleiros, balsas, obras inacabadas e uma pequena parte da BR-319 que recebe asfalto neste momento, um trecho previsto de 52 Km. O discurso é de cobrança ao governo federal e de defesa da pavimentação como “integração da Amazônia”. Mas, para muitos, a expedição parece mais um ato de marketing político.
Não é a primeira vez que senadores, deputados e governadores transformam a BR-319 em palco de “caravanas” e “expedições”. A cada ciclo, o roteiro se repete: muito barulho, discursos inflamados, promessas de solução — e, na prática, pouco ou nada muda.

Enquanto a população segue refém das promessas, a BR-319 permanece como símbolo do uso eleitoral da infraestrutura na Amazônia. A matemática mostra a inviabilidade de execução nos moldes anunciados, as pontes desabadas comprovam o abandono e as “expedições” parlamentares reforçam o ceticismo.

A verdade incômoda é que, sem planejamento realista, recursos assegurados e execução técnica consistente, a BR-319 continuará a ser o que sempre foi: uma estrada da retórica, não da realidade.

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