As anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, jogaram luz sobre o tabuleiro eleitoral de 2026 no Amazonas e, sobretudo, sobre o posicionamento aparentemente contraditório do Partido Liberal no estado. O conteúdo indica uma composição em aberto e cheia de interrogações. No campo do Senado, aparecem como indicados …
Anotações de Flávio Bolsonaro ignoram Alfredo Nascimento no comando do PL no Amazonas

As anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, jogaram luz sobre o tabuleiro eleitoral de 2026 no Amazonas e, sobretudo, sobre o posicionamento aparentemente contraditório do Partido Liberal no estado.
O conteúdo indica uma composição em aberto e cheia de interrogações.
No campo do Senado, aparecem como indicados pelo PL os nomes de Alberto Neto e Plínio Valério, este último atualmente filiado ao PSDB. A simples menção de Plínio, nome fora do partido, já sinaliza que as articulações ultrapassam as fronteiras formais da legenda. O que faz um nome do PSDB numa articulação com o PL?
Ao lado desses nomes, surge o do vereador Sargento Salazar, acompanhado das anotações “conversar” e “perdemos se houver composição com Wilson Lima”. A frase é reveladora: indica que, internamente, o partido avalia riscos eleitorais caso haja aproximação com o governador que é seu aliado.
O governador Wilson Lima aparece em registro apartado, O dado sugere hipoteticamente uma leitura estratégica negativa sobre sua popularidade, o que poderia querer justificar um distanciamento político.
No entanto, o próprio histórico recente do PL no Amazonas mostra uma relação de convivência institucional com o governo estadual. O presidente regional do PL, Alfredo Nascimento, mantém influência no cenário local, enquanto o presidente nacional Valdemar Costa Neto é citado nas anotações com a observação “tem 3 secretarias”, referência à presença do partido na estrutura do governo. Sem falar que, Marcel Alexandre na AmazonasTur também é do PL o formaria a quarta secretaria ocupada pelo partido.
A pergunta que fica é: o PL é base, oposição ou está em modo “tucano”, em cima do muro?
Também consta nas anotações o nome de Maria do Carmo Seffair como pré-candidata ao Governo do Estado pelo partido. A inclusão reforça que o PL trabalha com candidatura própria, ao mesmo tempo em que mantém pontes com diferentes atores.
Essa estratégia ambígua de flertar com uma composição e, simultaneamente, preparar voo solo, expõe um partido que tenta maximizar ganhos, mas corre o risco de transmitir falta de definição.
As revelações mostram que o PL no Amazonas joga em múltiplas frentes, avalia nomes ao Senado dentro e fora da legenda, testa a viabilidade de candidatura própria ao governo, mas registra ressalvas sobre aliança com o atual governador.
No tabuleiro de 2026, o partido parece agir como peça que ainda não decidiu se será rainha, torre ou apenas fiel da balança.
Se a estratégia é manter margem de manobra, o efeito colateral pode ser a percepção pública de dubiedade. E, em política, indefinição prolongada costuma cobrar seu preço.











