Programa criado pelo coronel Vinícius Almeida já ressocializou cerca de 10 mil internos e apresenta baixa reincidência
Salazar tenta “inventar a roda” com projeto que já existe há 7 anos no Amazonas

A proposta recente apresentada pelo sargento Salazar, que sugere o uso de mão de obra de pessoas privadas de liberdade em serviços públicos municipais, reacende um debate importante — mas também levanta um questionamento inevitável: trata-se de desconhecimento ou de oportunismo?
Isso porque a iniciativa, apresentada como novidade, já é uma realidade consolidada no Amazonas há mais de sete anos.
O modelo foi implantado ainda em 2019, durante a gestão do coronel Vinícius Almeida à frente da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), por meio do programa “Trabalhando a Liberdade”. A política foi estruturada com um objetivo claro: promover ressocialização por meio de capacitação profissional e trabalho digno.
O que começou dentro das unidades prisionais avançou para ações extramuros e hoje impacta diretamente a cidade. Espaços como o Passeio do Mindu, a orla de Educandos, o Largo de São Sebastião, a rodovia AM-070, além de escolas, delegacias e prédios públicos, já foram beneficiados pela atuação de internos vinculados ao programa.

Com apoio do Cetam, os participantes recebem qualificação profissional ainda durante o cumprimento da pena e, posteriormente, passam a atuar em atividades produtivas.
Os números mostram que não se trata de teoria: cerca de 10 mil internos já participaram do programa, com uma taxa de reincidência de aproximadamente 3% — muito abaixo da média nacional.
Mas o ponto central vai além dos dados.
Chama atenção o fato de que o próprio Salazar, em outro momento, já adotou um discurso de ataque ao coronel Vinícius, acusando-o de “se apropriar” de ocorrências policiais quando esteve à frente da segurança pública — algo que, na prática, faz parte das atribuições institucionais de qualquer gestor da área, ao apresentar resultados da tropa.
Agora, o cenário se inverte.
Ao apresentar como novo um projeto já existente, consolidado e amplamente reconhecido, Salazar acaba demonstrando duas possibilidades: ou desconhece o que já foi construído no próprio estado, ou tenta, de forma forçada, se apropriar de uma política pública que não é sua.

E há um agravante político evidente: trata-se justamente de uma iniciativa criada por seu principal adversário, o coronel Vinícius Almeida.
A questão é simples: se, no passado, Salazar criticava um secretário por apresentar resultados da própria gestão, o que ele tem a dizer agora sobre si mesmo?
Porque, ao tentar emplacar como novidade um projeto já existente, ele não apenas ignora a realidade — ele flerta com algo ainda mais grave: a tentativa de se apropriar de uma política pública que tem autoria clara.
E não qualquer autoria. A do seu principal desafeto político, o coronel Vinícius Almeida.











