Declaração ocorre após pedido de ajuda do prefeito Renator Junior
“Prometeu 10 mil ruas e não fez”, dispara Roberto Cidade e expõe crise na prefeitura

O governador Roberto Cidade (União) deu um recado direto e politicamente contundente ao prefeito Renato Junior (Avante) após o pedido público de ajuda feito pela Prefeitura de Manaus para reforçar as ações de recuperação das ruas da capital. O chefe do Executivo Estadual ainda aproveitou para alfinetar o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que prometeu asfaltar “10 mil ruas e não cumpriu”.
Durante evento, na manhã desta sexta-feira (8), ao comentar o apelo do prefeito, Roberto Cidade deixou claro que o Governo do Estado pode colaborar institucionalmente, mas ressaltou que não aceitará transferência de responsabilidades administrativas que pertencem à Prefeitura.
A fala foi interpretada nos bastidores como uma resposta dura ao prefeito, principalmente porque Renato Júnior foi secretário de obras da própria Prefeitura e esteve diretamente ligado ao programa “Asfalta Manaus” durante a gestão anterior.
“O Governo ajuda, se for possível. Mas cada ente precisa cumprir sua responsabilidade”, foi a mensagem transmitida pelo governador ao abordar o tema, em um tom considerado firme e sem espaço para confusão institucional.
O episódio também desmonta a narrativa de alinhamento automático entre Governo do Estado e Prefeitura de Manaus. Apesar do discurso de diálogo institucional, a resposta de Roberto Cidade evidenciou um distanciamento político e administrativo entre os dois grupos.
Nos bastidores, aliados do governador avaliam que Roberto Cidade buscou evitar que a crise da infraestrutura urbana de Manaus seja compartilhada com o Estado, principalmente diante da crescente pressão popular sobre a situação das ruas e avenidas da capital.
Já no meio político, a avaliação é de que Renato Júnior acabou expondo fragilidade administrativa ao recorrer publicamente ao Governo para tentar ampliar as operações de tapa-buraco, justamente em uma área que sempre foi tratada como prioridade da gestão municipal.
A declaração do governador reforça um novo momento político no Amazonas, onde a relação entre Estado e Prefeitura tende a ser marcada muito mais pela independência administrativa do que por alinhamentos automáticos.
O episódio evidencia que a relação entre Governo do Estado e Prefeitura está longe de ser harmoniosa e pode se transformar em um novo campo de tensão política nos próximos meses, principalmente diante da pressão popular por soluções rápidas para os problemas urbanos da capital amazonense.











