Perda de prefeitos e avanço de adversários acendem alerta no grupo de Omar Aziz

Pré-candidatura de senador já demonstra desgastes

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Antes tratado como favorito quase absoluto ao Governo do Amazonas, senador vê cenário eleitoral ficar mais competitivo com o crescimento de Roberto Cidade e Maria do Carmo nas pesquisas.

A filiação dos prefeitos Otávio Farias, de Novo Airão, e Emerson Melo, de Beruri, ao PSD foi apresentada pelo senador Omar Aziz como mais uma demonstração de força política no interior do Amazonas. O movimento reforça uma das principais bases eleitorais do parlamentar: a relação histórica com prefeitos e lideranças municipais. Entretanto, nos bastidores da política amazonense, a avaliação é que apenas ampliar o número de aliados pode não ser suficiente para garantir a presença de Omar no segundo turno em 2026.

Publicação do analista político Igor Castro aponta que, embora Omar continue agregando novos apoios, sua base de prefeitos já não é a mesma de meses atrás. Segundo a análise, parte significativa das lideranças municipais que orbitavam em torno do senador teria se afastado, reduzindo uma vantagem que antes parecia intransponível.

O cenário chama atenção porque, até pouco tempo, Omar era apontado como franco favorito para retornar ao comando do Governo do Amazonas. A articulação do movimento “Amazonas Forte de Novo”, a presença de dezenas de prefeitos e o apoio de lideranças tradicionais fizeram com que o senador largasse na dianteira da corrida eleitoral.

As pesquisas divulgadas nos últimos meses mostram que Omar segue liderando a disputa, mas também revelam um fenômeno que preocupa seus aliados: o crescimento consistente de adversários que antes apareciam distantes.

De um lado, Roberto Cidade passou a ocupar espaço relevante no debate eleitoral. Beneficiado pela visibilidade da máquina estadual e por uma postura de diálogo com diferentes correntes políticas, o atual governador vem aparecendo em trajetória ascendente nos levantamentos divulgados recentemente.

Do outro, Maria do Carmo consolidou-se como o principal nome da direita amazonense. A empresária e professora deixou de ser tratada como azarão para se transformar em uma candidata competitiva, especialmente entre os eleitores conservadores e bolsonaristas.

O resultado é uma disputa que já não parece caminhar para uma classificação automática de Omar ao segundo turno. O que antes era visto como uma corrida relativamente previsível passou a apresentar sinais claros de fragmentação.

Apesar dos desafios, Omar ainda possui um ativo político que poucos adversários conseguem igualar: sua forte presença no interior do estado. O senador mantém uma ampla rede de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, construída ao longo de décadas de atuação política. Em março deste ano, mais de 50 lideranças municipais já haviam confirmado participação em uma mobilização organizada pelo senador.

A estratégia do PSD é justamente reforçar essa capilaridade. As filiações de Otávio Farias e Emerson Melo caminham nessa direção e demonstram que Omar continua competitivo na disputa pelos apoios municipais.

O problema para o grupo de Omar é que o cenário de 2026 parece muito diferente de eleições anteriores. Com Roberto Cidade em ascensão, Maria do Carmo consolidando a direita e outros nomes buscando espaço, a disputa tende a ser pulverizada.

Nos bastidores, a avaliação é que o senador continua sendo um dos favoritos, mas já não ostenta a condição de candidato imbatível. A principal dúvida que começa a surgir entre analistas políticos não é mais se Omar lidera a corrida, mas se conseguirá transformar essa liderança em uma vaga segura no segundo turno.

Se o crescimento de Roberto Cidade e Maria do Carmo continuar no ritmo observado nas últimas pesquisas, a eleição para o Governo do Amazonas poderá se transformar em uma das mais imprevisíveis da história recente do estado, colocando em xeque um favoritismo que, há poucos meses, parecia incontestável.

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