Ex-secretário estadual vai disputar as eleições deste ano
Marcellus Campêlo e Tarcísio de Freitas: perfis técnicos aproximam trajetórias de gestores da infraestrutura

A pré-candidatura de Marcellus Campêlo a deputado estadual no Amazonas reacendeu comparações entre sua trajetória técnica e a de Tarcísio de Freitas. Embora tenham atuado em esferas distintas da administração pública, ambos construíram carreiras associadas à gestão de grandes projetos de infraestrutura e desenvolvimento urbano.
Engenheiro de formação, Tarcísio de Freitas alcançou notoriedade nacional como ministro da Infraestrutura entre 2019 e 2022, período em que coordenou programas de concessões e investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Em seguida, foi eleito governador de São Paulo, mantendo a infraestrutura como um dos eixos centrais de sua gestão.
Marcellus Campêlo consolidou sua atuação no Amazonas à frente da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb). Nessas funções, participou da coordenação de programas voltados à requalificação urbana, habitação, saneamento, recuperação de áreas degradadas, revitalização de espaços públicos e execução de projetos financiados por organismos internacionais.
Em comum, os dois gestores desenvolveram reputação ligada ao planejamento, à gestão de contratos complexos e à execução de obras públicas. Ambos ficaram conhecidos por um perfil predominantemente técnico, no qual a capacidade de estruturar projetos e acompanhar sua execução se tornou uma das principais marcas de suas carreiras.
As diferenças, entretanto, são relevantes. Tarcísio de Freitas acumulou experiência em órgãos federais e comandou a política nacional de infraestrutura antes de assumir o governo do estado mais populoso do país. Já Marcellus Campêlo concentrou sua atuação na administração pública amazonense, conduzindo projetos voltados às necessidades urbanas da região e à modernização de áreas estratégicas de Manaus e de outros municípios do estado.
O paralelo entre os dois gestores surge principalmente pelo estilo de atuação. Enquanto Tarcísio levou para a política eleitoral a imagem de gestor técnico responsável por grandes investimentos em logística, Campêlo busca apresentar ao eleitorado amazonense uma trajetória baseada na execução de políticas públicas de desenvolvimento urbano e na coordenação de projetos estruturantes.
Analistas políticos observam, contudo, que as comparações devem ser feitas com cautela. Os dois atuaram em níveis distintos de governo, administraram orçamentos de magnitudes diferentes e responderam por atribuições institucionais específicas. Ainda assim, ambos representam um modelo de gestor que procura transformar experiência administrativa em capital político, utilizando a execução de obras e a capacidade de gestão como elementos centrais de sua narrativa pública.
Em período eleitoral, a avaliação desse perfil dependerá não apenas da experiência técnica apresentada pelos candidatos, mas também do escrutínio público sobre os resultados efetivamente alcançados, dos indicadores de desempenho de suas gestões e das propostas que apresentarão ao eleitorado.










