Enquanto Wilson constrói sua candidatura para além das fronteiras partidárias e disputa o segundo voto do eleitor conservador
Flávio fechado com Alberto Neto, mas deixa Wilson vivo na disputa pelo segundo voto da Direita no Amazonas

A divulgação dos candidatos ao Senado apoiados por Flávio Bolsonaro colocou oficialmente Alberto Neto como o nome do projeto nacional do PL no Amazonas, mas está longe de encerrar uma das principais discussões da eleição de 2026: para quem irá o segundo voto do eleitor de Direita no estado?
Na lista apresentada por Flávio, Alberto Neto aparece como o candidato amazonense ao Senado. A definição é natural dentro da estratégia partidária: Alberto pertence ao PL e integra a chapa construída pela legenda no Amazonas.
O movimento ganha repercussão, porém, porque acontece poucos dias depois de Wilson Lima declarar publicamente apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
A ausência de Wilson na relação divulgada nacionalmente pode ser interpretada como uma sinalização natural de prioridade partidária.
Rogério Marinho inclusive deixou aberta a possibilidade de apoio a um segundo candidato ao Senado no Amazonas.
E é justamente nessa segunda vaga que a disputa política pode ganhar novos contornos.
Alberto é o voto do PL; Wilson deve ser o segundo voto da Direita
Alberto Neto possui uma vantagem evidente: é o candidato oficial do partido de Flávio Bolsonaro no Amazonas e vem construindo sua campanha diretamente identificada com o bolsonarismo.
Wilson, por outro lado, aposta em outra estratégia.
Fora do PL, mas declarando apoio a Flávio, o ex-governador tenta se apresentar como uma alternativa para o eleitor conservador que terá dois votos para senador em outubro.
A equação que começa a aparecer é simples: Alberto Neto tenta consolidar o primeiro voto da Direita, enquanto Wilson Lima trabalha para conquistar o segundo.
Essa disputa se torna ainda mais relevante porque os dois concorrem diretamente por uma das vagas ao Senado em um cenário que reúne outros nomes competitivos.
A declaração de voto de Wilson em Flávio, portanto, não precisa necessariamente produzir reciprocidade imediata.
Politicamente, o objetivo pode ser outro: mostrar ao eleitor de Direita que votar em Wilson para o Senado não significa votar contra o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.
É uma diferença importante.
Alberto continuará reivindicando legitimamente a condição de candidato oficial do PL. Wilson, entretanto, poderá tentar construir a narrativa de que existe espaço para dois senadores alinhados ao mesmo campo político.
E como o eleitor amazonense escolherá dois nomes para o Senado, essa discussão tende a crescer durante a campanha.
A eleição pode ser decidida pelo segundo voto
Por isso, talvez seja cedo para interpretar a lista de Flávio como uma derrota política de Wilson.
Ela confirma aquilo que já era esperado: o candidato presidencial do PL prioriza o candidato do próprio PL.
A verdadeira batalha começa depois.
Alberto Neto terá o desafio de transformar a força do bolsonarismo em votos suficientes para conquistar uma cadeira. Wilson Lima tentará convencer esse mesmo eleitorado de que pode ocupar a segunda vaga sem representar qualquer ruptura com Flávio.
Flávio já deixou claro quem é o seu candidato partidário: Alberto Neto. Agora resta saber quem conseguirá conquistar o segundo voto da Direita amazonense e é exatamente nesse espaço que Wilson Lima larga na frente e leva vantagem.










