Cidade não vai ao debate e dá novo “nó tático” nos adversários: drible de corpo sem nem tocar na bola

Ausência de Roberto Cidade no debate da BandNews neste domingo frustra estratégia dos adversários, que esperavam transformar o encontro em uma espécie de “todos contra um”

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A ausência do governador Roberto Cidade no debate promovido pela BandNews neste domingo (9) certamente será utilizada pelos adversários como munição política. Mas, olhando o tabuleiro por outro ângulo, a decisão também pode ser interpretada como mais um movimento calculado de uma campanha que parece determinada a não jogar o jogo desenhado pelos concorrentes.

Cidade não foi ao debate — e, mesmo ausente, provavelmente será um dos personagens mais lembrados da noite.

É o que no futebol poderia ser chamado de “drible de corpo sem a bola”.

Os adversários tinham diante deles uma oportunidade importante para confrontar diretamente o governador, cobrar sua administração e tentar colocá-lo no centro das críticas. Sem Cidade no estúdio, entretanto, parte dessa estratégia perde o alvo principal.

A expectativa política em torno do encontro era justamente observar como Roberto Cidade reagiria diante dos ataques dos principais adversários na disputa pelo Governo do Amazonas.

Sua presença poderia produzir um cenário confortável para quem pretende desgastá-lo: vários candidatos concentrando perguntas, críticas e provocações sobre um único nome.

Ao não comparecer, deixa os adversários diante de uma escolha incômoda: debater entre si ou gastar precioso tempo de televisão atacando alguém que sequer está no estúdio para responder.

Em qualquer uma das alternativas, Cidade consegue evitar o confronto no terreno escolhido pelos concorrentes.

Os adversários poderão acusar o governador de fugir do confronto, evitar perguntas difíceis ou não querer prestar contas diretamente ao eleitor. Esse discurso deverá aparecer durante a campanha.

A questão é saber se esse desgaste será maior ou menor do que o risco de entrar em um debate no qual poderia se transformar no alvo preferencial de praticamente todos os participantes.

Cidade parece apostar que sua campanha será construída muito mais na agenda de rua, nas entregas administrativas, no contato com o eleitor e na exposição controlada de suas ações do que em confrontos nos quais seus adversários possam estabelecer as regras do jogo.

Essa talvez seja a pergunta politicamente mais provocativa deixada pela ausência.

Roberto Cidade precisava do debate ou os adversários precisavam de Roberto Cidade no debate?

Para candidatos que precisam crescer, confrontar diretamente quem ocupa o Governo pode representar uma oportunidade de ganhar protagonismo, produzir cortes para as redes sociais e criar fatos políticos.

Sem o governador diante deles, essa oportunidade diminui.

Cidade, por outro lado, preserva sua estratégia e obriga os concorrentes a disputarem espaço entre si.

Desde o início da construção eleitoral, Roberto Cidade vem adotando movimentos que procuram impedir que seus adversários determinem o ritmo de sua campanha.

Agora, ao ficar fora do debate da BandNews, faz novamente uma escolha que certamente provocará críticas, mas também embaralha a estratégia daqueles que estavam preparados para enfrentá-lo diretamente.

No futebol, o atacante ameaça partir para um lado, o marcador acompanha o movimento e, quando percebe, a jogada já tomou outra direção.

Na política amazonense deste domingo, Roberto Cidade sequer precisou tocar na bola.

Enquanto os adversários entraram em campo esperando marcá-lo, Cidade simplesmente não entrou no jogo e ainda assim conseguiu permanecer no centro da partida.

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