Plínio Valério ajudou a instalar e prolongar CPI da Covid que transformou Bolsonaro em seu principal alvo

Senador amazonense assinou o requerimento de criação e também apoiou a ampliação dos trabalhos da comissão presidida por Omar Aziz

Compartilhar em:

A tentativa do senador Plínio Valério (PSDB-AM) de se consolidar como representante da direita no Amazonas esbarra em um episódio decisivo de sua trajetória política: seu apoio formal à criação e à prorrogação da CPI da Covid, comissão que se transformou em uma das principais ferramentas de desgaste contra o governo do então presidente Jair Bolsonaro.

Os registros oficiais do Senado mostram que Plínio esteve entre os parlamentares que assinaram o requerimento apresentado por Randolfe Rodrigues em fevereiro de 2021. Sua assinatura contribuiu para alcançar o número mínimo necessário à instalação da comissão.

A CPI começou oficialmente seus trabalhos em abril daquele ano, sob a presidência de Omar Aziz (PSD-AM), senador que mantém uma relação política próxima com Plínio. A relatoria ficou sob a responsabilidade de Renan Calheiros (MDB-AL).

A participação de Plínio na viabilização da comissão não se limitou à assinatura inicial. O senador amazonense também apoiou o requerimento que solicitou a prorrogação da CPI por mais 90 dias.

Na prática, Plínio não apenas ajudou a abrir a investigação, como também concordou com a ampliação do período destinado aos trabalhos da comissão.

Esse posicionamento ganha importância no atual cenário eleitoral porque Plínio tenta conquistar votos entre os eleitores conservadores e bolsonaristas do Amazonas. Entretanto, sua atuação naquele momento contribuiu para fortalecer uma investigação que teve Bolsonaro como principal alvo político.

Durante aproximadamente seis meses, a CPI realizou dezenas de reuniões, depoimentos e quebras de sigilo. As sessões ocuparam diariamente os principais espaços da imprensa nacional e produziram uma sucessão de acusações contra integrantes do governo federal, empresários e aliados do então presidente.

A comissão terminou seus trabalhos com pedidos de indiciamento contra Bolsonaro, ministros, ex-ministros, parlamentares e outras pessoas investigadas. Independentemente dos desdobramentos jurídicos posteriores, o impacto político foi imediato e expressivo.

A CPI ajudou a consolidar uma narrativa de responsabilização do governo federal pela condução da pandemia e abriu um período de forte pressão contra Bolsonaro no Congresso e nos meios de comunicação.

Plínio Valério pode argumentar que a CPI fazia parte das atribuições fiscalizadoras do Senado e que sua assinatura representava uma defesa do direito de investigação do Parlamento. Também pode sustentar que o Amazonas havia enfrentado uma crise sanitária particularmente grave, marcada pelo colapso no fornecimento de oxigênio.

Mas o fato objetivo permanece: Plínio assinou o requerimento que viabilizou a criação da CPI da Covid e também apoiou sua prorrogação.

Agora, ao buscar o voto da direita e declarar apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, o senador terá de explicar ao eleitorado conservador por que ajudou a abrir e prolongar uma comissão presidida por Omar Aziz que provocou um dos maiores desgastes políticos enfrentados por Jair Bolsonaro durante seu governo.

Compartilhar em: