Declaração foi realizada em julho de 2023
Chegou setembro: Preparem-se, porque Lula avisou que o “grosso vai entrar”

Setembro chegou. E, com ele, retorna uma das declarações mais inesquecíveis e involuntariamente engraçadas do presidente Lula: “Agora, em setembro, vai entrar o grosso.”
A frase foi pronunciada em julho de 2023, quando Lula tratava da etapa mais abrangente do programa Desenrola Brasil, prevista para setembro daquele ano. Portanto, é necessário respeitar o contexto: o presidente falava sobre renegociação de dívidas.
Mas também é preciso reconhecer o óbvio: Lula entregou à internet uma frase pronta, embalada e com enorme potencial para o duplo sentido. O resultado não poderia ser outro. A declaração escapou da economia, ganhou vida própria e entrou definitivamente para o folclore político brasileiro.
Desde então, basta setembro aparecer no calendário para a frase ressurgir. E o brasileiro, calejado por promessas grandiosas e contas ainda maiores, imediatamente olha para o bolso e pergunta:
Que grosso é esse? Vai entrar onde? E, principalmente, quem vai pagar?
O presidente falou, a internet não perdoou
Talvez Lula estivesse apenas empolgado com o anúncio do Desenrola. Talvez quisesse dizer que a maior parte dos beneficiários entraria no programa. Mas a política também é feita de palavras, e algumas declarações carregam tamanho potencial de constrangimento que não precisam sequer da ajuda da oposição.
Foi exatamente o que aconteceu.
O presidente tentou anunciar uma etapa de seu governo e acabou criando um evento anual. Agora, todo início de setembro funciona como uma espécie de réveillon do deboche nacional.
A internet recupera o vídeo, espalha os memes e transforma Lula no protagonista de uma comédia que ele próprio escreveu mesmo sem perceber.
Mas o “grosso” entrou na conta de quem ?
A ironia fica ainda maior quando o cidadão confronta o discurso com a realidade.
Se o “grosso” significava dinheiro, alívio financeiro e recuperação do poder de compra, uma parcela considerável da população continua procurando onde ele foi parar. Já se a expressão estiver relacionada a impostos, juros, preços elevados, endividamento e boletos, então talvez a promessa tenha sido cumprida com eficiência impressionante.
O grosso pode não ter entrado na conta bancária do trabalhador, mas certamente apareceu na conta do supermercado, na fatura do cartão, no preço dos serviços e nas despesas acumuladas ao final do mês.
No Brasil de Lula, o alívio costuma chegar em forma de propaganda. A cobrança, porém, chega pelo aplicativo do banco com data de vencimento, multa e juros.
Um governo especializado em anúncios
A declaração também representa uma característica recorrente do lulismo: transformar expectativas em espetáculo publicitário.
Lula anuncia programas, promete prosperidade, fala em crescimento e apresenta o futuro como se ele estivesse sempre a uma semana de distância. A população espera, o calendário avança e, quando o resultado não aparece, surge uma nova promessa para substituir a anterior.
O presidente domina como poucos a arte de vender esperança. O problema é que esperança não paga supermercado, não reduz juros e não liquida a fatura do cartão.
Em 2023, a promessa era o Desenrola. Em 2026, às vésperas de mais uma eleição, o discurso continua apoiado na velha fórmula: anunciar muito, explicar bastante e atribuir a terceiros tudo aquilo que não funcionou.
Mudam os programas. Mudam as campanhas. Mudam os slogans. O método permanece o mesmo.
Setembro começou. Protejam os bolsos!
O FOCO NO FATO reconhece o contexto original da declaração: Lula falava sobre uma nova fase do Desenrola Brasil. Mas reconhece também que um presidente experiente deveria compreender o peso e o alcance das palavras que pronuncia.
A frase tornou-se um meme porque combina perfeitamente com a sensação vivida por milhões de brasileiros: sempre existe alguma coisa pesada entrando no orçamento familiar e quase nunca é dinheiro.
Por isso, diante do alerta presidencial, o cidadão deve tomar as providências necessárias: conferir as contas, proteger a carteira e acompanhar atentamente os próximos anúncios de Brasília.
Setembro chegou.
Lula avisou que “o grosso vai entrar”.
Agora só falta o governo esclarecer se será o grosso do dinheiro no bolso do brasileiro ou o grosso da conta para o brasileiro pagar.
No Brasil atual, por prudência, é melhor não criar muitas expectativas. E deixar o cartão escondido.










