MENSAGENS, ENCONTROS E R$ 131 MILHÕES: CASO VORCARO COLOCA ALEXANDRE DE MORAES NO OLHO DO FURACÃO

Documentos extraídos pela Polícia Federal indicam proximidade entre o ministro e o ex-controlador do Banco Master; Moraes nega irregularidades, enquanto OAB cobra investigação rigorosa e transparente

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O avanço das investigações sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no centro de uma grave crise institucional. Mensagens, registros de encontros e documentos encontrados no celular do banqueiro levantaram suspeitas sobre a extensão da relação mantida entre os dois.

O principal ponto revelado até agora é o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos e poderia alcançar aproximadamente R$ 131 milhões. Dados enviados à CPI indicaram que a banca recebeu R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025.

A nova revelação é que um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” teria realizado alterações na última versão do contrato. O próprio escritório confirmou que Moraes teve acesso ao documento, mas alegou que sua participação se limitou à análise de eventuais impedimentos legais. Segundo a banca, não existiria conflito porque o ministro nunca julgou processo envolvendo o Banco Master no STF.

As mensagens analisadas pela PF também indicam que Vorcaro teria se encontrado diversas vezes com Moraes e procurado o ministro durante as tratativas para vender parte do Master ao BRB. Em uma das conversas, o banqueiro afirmou que Moraes daria um “aperto” em um ex-diretor do Banco Central para tentar superar obstáculos à operação.

O conteúdo mais delicado teria sido enviado pouco antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Nas mensagens, ele perguntaria se deveria deixar o Brasil, demonstraria conhecimento antecipado sobre possíveis medidas policiais e solicitaria ajuda para conter o avanço das investigações. Também aparecem menções ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Em outra mensagem atribuída ao banqueiro, Vorcaro declarou ter uma “dívida de vida” e profunda gratidão ao ministro. A PF apura se Moraes era efetivamente o destinatário dessas comunicações e se houve vazamento de informações ou tentativa de interferência institucional. Moraes já negou ter recebido parte das mensagens divulgadas anteriormente.

Os investigadores encontraram ainda reclamações de Vorcaro sobre atrasos nos pagamentos ao escritório da família do ministro e orientações para que determinados repasses fossem priorizados. Também surgiu uma minuta de outro contrato, estimado em R$ 50 milhões e envolvendo negociações relacionadas a aeronaves, mas o escritório afirma que esse segundo acordo nunca foi assinado.

Diante da repercussão, o ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigação, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, uma sessão presencial para discutir o caso. ⁠

A Ordem dos Advogados do Brasil também se manifestou, defendendo uma apuração “rigorosa e isenta”. Para a entidade, as revelações exigem respostas transparentes diante dos possíveis impactos sobre a credibilidade das instituições.

Até o momento, as informações reveladas constituem elementos de uma investigação em andamento e não representam condenação ou comprovação definitiva de crime cometido por Alexandre de Moraes. Entretanto, a combinação entre contrato milionário, encontros privados, mensagens pedindo ajuda e possíveis informações antecipadas transformou o caso Vorcaro em um dos episódios mais delicados já enfrentados pelo STF.

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