Imagens podem levantar questionamentos, mas não comprovam nenhum vínculo de Maria do Carmo com atividades criminosas
“Ligações perigosas?”: fotos de campanha mostram Maria do Carmo próxima de mulher ligada a investigado por tráfico

A prisão preventiva de Rodrigo César Campelo Soares, conhecido como “RC Soares”, durante uma investigação que resultou na apreensão de aproximadamente 2,5 toneladas de drogas em Manaus, abriu uma nova frente de desgaste político para a candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL).
O caso ganhou repercussão eleitoral após circularem fotografias e vídeos publicados por Ana Marcela, apontada como esposa do investigado. Os registros mostram a mulher participando de atividades políticas, exibindo material da campanha de Maria do Carmo e posando ao lado da candidata.
Em uma publicação datada de 16 de agosto, Maria do Carmo aparece fazendo com as mãos o número 22, enquanto Ana Marcela segura uma peça de campanha. A postagem foi acompanhada da frase “22 neles”, em uma demonstração pública de apoio à candidata do PL.
Outro registro, publicado em 30 de maio, mostra Ana Marcela em um evento político, nas proximidades do palanque. Segundo reportagem publicada pelo Portal Regional AM, o perfil da mulher também mantinha um destaque dedicado a Maria do Carmo, reunindo imagens de diferentes momentos da campanha.
A repetição dos encontros levantou questionamentos sobre o grau de participação de Ana Marcela nas atividades eleitorais e sobre a eventual relação dela e do marido com integrantes da campanha. Até o momento, entretanto, as fotografias não comprovam que Maria do Carmo tivesse conhecimento das atividades investigadas ou qualquer participação em atos ilícitos.
A controvérsia aumentou depois que adesivos, bandeiras e cartazes com o nome e o número de Maria do Carmo foram encontrados em um instituto social relacionado ao investigado e posteriormente exibidos durante a apresentação da operação policial.
Maria do Carmo negou qualquer vínculo com Rodrigo Soares e afirmou desconhecer como o material eleitoral chegou ao local. A candidata também apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público do Estado do Amazonas, solicitando a apuração da origem das peças de campanha e das circunstâncias em que elas foram expostas à imprensa.
“Certamente não fui eu, não tenho nada a ver com isso”, declarou a candidata. A defesa sustenta que materiais de campanha circulam amplamente durante o período eleitoral e podem ser obtidos por qualquer apoiador. Também questiona a cadeia de custódia e a forma como as peças foram apresentadas na Delegacia-Geral.
Embora seja juridicamente imprudente concluir, apenas a partir das imagens, que exista qualquer ligação de Maria do Carmo com o tráfico de drogas ou com uma organização criminosa, a frequência dos registros justifica esclarecimentos públicos.
Entre as perguntas ainda abertas estão quem autorizou a presença de Ana Marcela nos espaços registrados, se ela exercia alguma função formal ou informal na campanha e como o material eleitoral chegou ao imóvel relacionado ao investigado.
Também será necessário esclarecer se Rodrigo Soares mantinha alguma atividade política reconhecida pela coordenação da candidatura. Publicações que o apresentam como suposto coordenador de campanha ainda precisam ser confrontadas com documentos eleitorais, contratos, registros financeiros ou manifestação oficial do partido.
O episódio, portanto, não autoriza uma condenação política antecipada, mas coloca a campanha de Maria do Carmo diante de uma questão objetiva de transparência. Fotografias podem demonstrar contato e apoio político; não são suficientes, isoladamente, para provar cumplicidade ou participação em crimes.
Cabe agora às autoridades determinar a origem do material apreendido e a eventual existência de vínculos além da convivência registrada nas redes sociais. À candidata e à direção do PL cabe esclarecer, de maneira documental, qual era a relação das pessoas investigadas com a estrutura eleitoral. Até a conclusão das investigações, Rodrigo Soares deve ser tratado como investigado, com direito à presunção de inocência.










