Investigação começou após apreensão de mala com empresários em Brasília
Candidato à reeleição, Adail Filho é alvo de operação da PF que mira organização criminosa

O deputado federal e candidato à reeleição Adail Filho (MDB) está entre os alvos da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (16). A ação investiga a possível atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à administração municipal de Coari.
A operação ocorre a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além de medidas cautelares que incluem o afastamento de servidores públicos.
Com o avanço das apurações, foram identificados indícios de transações financeiras envolvendo empresas ligadas aos investigados, além de contratos dessas companhias com a Prefeitura de Coari. As investigações também passaram a analisar recursos de emendas parlamentares destinadas por Adail Filho ao município.
Na operação desta quarta-feira, um dos endereços onde houve buscas fica em um condomínio no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste de Manaus. No local foram encontradas cédulas de dinheiro, joias, carros de luxo.

As apurações investigam uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, com indícios de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras que teriam sido utilizadas para pagamento de vantagens indevidas e ocultação da origem e dos destinatários dos valores.
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Entenda o caso
As investigações que deram origem ao caso ganharam força após três empresários amazonenses — Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho — serem flagrados pela Polícia Federal com R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo no Aeroporto Internacional de Brasília, em maio de 2025.
A partir da apreensão, documentos e dispositivos eletrônicos recolhidos com o trio foram analisados pelas autoridades. As apurações identificaram empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com a Prefeitura de Coari e levantaram suspeitas sobre movimentações financeiras relacionadas ao grupo.
O caso chegou ao Supremo por envolver um deputado federal.
Investigação aberta
Em abril deste ano, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de inquérito para investigar Adail Filho por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo informações presentes na decisão, as investigações identificaram indícios de repasses financeiros realizados por pessoas jurídicas vinculadas aos empresários em benefício do parlamentar e de seu pai, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro.
As apurações também apontaram que empresas relacionadas aos investigados mantinham contratos com a Prefeitura de Coari e teriam sido utilizadas, segundo a linha investigativa, em possíveis fraudes em procedimentos licitatórios.
O município também recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas por Adail Filho, circunstância que passou a integrar a apuração sobre a possível origem e destinação dos recursos públicos.
Adail Filho já negou manter relação comercial com os empresários investigados e negou irregularidades quando o caso veio a público.









