Aliado de Lula no Amazonas, candidato do PSD aparece atrás de Cidade na capital, segundo pesquisa Projeta
Omar não avança em Manaus e enfrenta resistência do eleitorado bolsonarista

Omar Aziz chega à reta final da campanha diante de um desafio em Manaus: conquistar votos em uma cidade onde Jair Bolsonaro venceu a disputa presidencial de 2022 e onde sua associação política com Lula pesa contra a candidatura ao Governo do Amazonas. A resistência do eleitorado de direita é um fator muito relevante para a campanha, embora nenhuma pesquisa citada permita afirmar que todos esses eleitores se recusem a votar em Omar, as evidências são claras.
Na pesquisa Projeta divulgada em 21 de setembro, Roberto Cidade aparece numericamente à frente na capital, com 22,76%, contra 21,59% de Omar. Maria do Carmo registra 18,95% e David Almeida, 17,98%. A pequena diferença entre os dois primeiros não estabelece vantagem estatística para Cidade, mas mostra que a liderança estadual de Omar não se repete em Manaus: no conjunto do Amazonas, ele marca 25,80%, contra 24,36% do governador.
O contraste entre capital e interior é central para entender a disputa. Fora de Manaus, Omar alcança 30,55% e Cidade, 26,17%. Já na capital, o senador também enfrenta rejeição de 20,37%, segundo o mesmo levantamento. Para ampliar sua votação ali, terá de convencer eleitores que hoje preferem outros candidatos ou ainda não escolheram um nome.
A ligação de Omar com Lula acrescenta uma dimensão política a esse desafio. Para o eleitor bolsonarista que vê o presidente como adversário, votar no candidato apoiado pelo campo lulista no Amazonas pode ser uma barreira. Esse é o ponto de tensão da campanha de Omar em Manaus: sua força no interior pode não bastar caso ele não consiga reduzir a resistência na capital.
O teste pode se tornar ainda mais decisivo em um eventual segundo turno. Na simulação da Projeta entre Omar e Cidade, o governador aparece com 45,42% no estado, ante 43,24% do senador, empate técnico dentro da margem de erro. Em Manaus, Cidade também lidera numericamente esse confronto, com 45,66%. O levantamento ouviu presencialmente 3 mil eleitores entre 14 e 18 de setembro e está registrado sob o número AM-06136/2026.
Omar ainda disputa a liderança estadual. Mas os números deixam uma pergunta aberta para sua campanha: como avançar em Manaus sem conquistar nenhuma parte de um eleitorado que se identificou com Bolsonaro e rejeita a aliança com Lula?










