Senador afirmou no plenário que deixou de lado sua rejeição ao PT ao apoiar o ex-advogado do presidente; decisão volta ao centro do debate sobre sua atuação política
Plínio se apresenta como oposição a Lula, mas admitiu voto a favor de Zanin para o STF

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) se apresenta como adversário do PT e do governo Lula. Mas uma declaração feita por ele próprio no Senado expõe uma escolha que pode causar desconforto entre eleitores de oposição: em 2023, Plínio afirmou ter votado a favor de Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula indicado pelo presidente para o Supremo Tribunal Federal (STF).
A indicação foi aprovada em 21 de junho daquele ano por 58 votos a 18. Como a votação foi secreta, o painel do Senado registra a participação de Plínio, mas não revela o sentido de seu voto. Foi o próprio senador quem o tornou público, em pronunciamento registrado nas notas taquigráficas da sessão: “Esqueci que não gosto do PT e acabei votando ‘sim’”.
Plínio explicou, na mesma fala, que era contra o PT, mas decidiu avaliar o indicado independentemente de sua ligação com Lula. Disse ter mudado de opinião e considerou que Zanin poderia ser um bom ministro. Esse é o argumento apresentado pelo senador para justificar a decisão.
O episódio, porém, abre uma pergunta política direta: como Plínio concilia o discurso de oposição ao governo Lula com o apoio a uma de suas indicações mais relevantes? Votar pela aprovação de um ministro do STF é uma decisão que pode ser defendida por seus critérios jurídicos e profissionais, mas também carrega peso político, especialmente quando o indicado havia atuado na defesa pessoal do presidente.
Para o eleitor amazonense, a contradição está entre a imagem de enfrentamento ao PT e a escolha que Plínio assumiu publicamente. Cabe ao senador explicar se mantém hoje a avaliação que o levou a apoiar Zanin e como essa decisão se encaixa na oposição que afirma exercer.
Imagem: composição Foco no Fato










