Direita amplia poder no Brasil, lidera corrida presidencial e fortalece presença no Congresso

Flávio chega à frente ao segundo turno, PL conquista as maiores bancadas da Câmara e do Senado, e aliados vencem em importantes governos estaduais

Compartilhar em:

A direita saiu do primeiro turno das eleições de 2026 fortalecida em diferentes frentes. Além da vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o campo conservador conquistou posições relevantes no Congresso e nos governos estaduais, criando uma estrutura de poder que terá influência sobre o próximo mandato presidencial. O resultado, entretanto, apresenta diferenças regionais e mantém a disputa pelo Palácio do Planalto aberta.

Com 99,99% das urnas apuradas no levantamento divulgado pela Folha, Flávio Bolsonaro aparecia com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

A votação representa um avanço em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022. Flávio alcançou aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula registrou redução de cerca de 3,4 milhões de votos em comparação com aquela eleição, segundo levantamento do UOL.

Politicamente, a liderança dá impulso à candidatura do PL. A diferença relativamente estreita, porém, indica que a decisão dependerá da capacidade de conquistar eleitores dos demais candidatos, mobilizar quem não compareceu às urnas e reduzir resistências fora das bases tradicionais.

O PL elegeu 19 senadores e deverá reunir 28 representantes na próxima legislatura, formando a maior bancada da Casa. O PT aparece na sequência, com nove senadores. O resultado amplia o peso do partido de Bolsonaro nas negociações sobre o comando do Senado e a agenda legislativa.

O avanço também apareceu em disputas estaduais. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, conquistaram as duas vagas. Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP), apoiado por Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, foi eleito senador.

A leitura política é de fortalecimento conservador, mas a maior bancada partidária não equivale, sozinha, ao controle do Senado. A capacidade de aprovar propostas dependerá de alianças e da convergência entre parlamentares de diferentes legendas.

Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou 121 cadeiras, segundo o balanço publicado pelo UOL. O PT ficou com 70 e o União Brasil com 46. O desempenho coloca o partido de Flávio no centro das articulações da próxima legislatura.

Uma bancada desse tamanho oferece força para disputar espaços de comando, influenciar comissões e negociar prioridades. Ainda assim, um levantamento sobre a direita precisa distinguir a votação do PL da composição de todo o campo conservador: partidos com presença de centro e centro-direita também abrigam lideranças com alianças regionais e posições diferentes diante do governo federal.

As vitórias estaduais acrescentam peso territorial ao resultado nacional. Tarcísio de Freitas, em São Paulo, e Cleitinho, em Minas Gerais, ambos do Republicanos, venceram nos dois maiores colégios eleitorais do país. No Sul, o PL conquistou os governos com Jorginho Mello, em Santa Catarina, Sergio Moro, no Paraná, e Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul. No Norte, a legenda venceu com Marcos Rogério, em Rondônia, e Arthur Henrique, em Roraima.

No Rio de Janeiro, a situação de Douglas Ruas (PL) exige atenção ao julgamento dos votos de Anthony Garotinho, que pode alterar a definição sobre a necessidade de segundo turno. No Amazonas, Maria do Carmo (PL) avançou para enfrentar Omar Aziz (PSD).

Esses resultados dão ao campo conservador governadores, estruturas partidárias e lideranças regionais capazes de participar da articulação presidencial e das negociações federativas.

A expansão da direita não ocorreu de maneira uniforme. O PT preservou governos importantes no Nordeste, com as vitórias de Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Elmano de Freitas, no Ceará, e Rafael Fonteles, no Piauí. A cobertura da Folha também aponta que candidatos de centro-direita em estados nordestinos evitaram confronto direto com Lula e estimularam o voto cruzado.

Na disputa presidencial, Lula manteve a liderança no Amazonas, no Pará e no Amapá, embora a cobertura regional tenha identificado avanço bolsonarista na Amazônia Legal em comparação com 2022. Isso mostra que crescimento da direita e vitória eleitoral são indicadores distintos.

O balanço do primeiro turno aponta uma direita com maior capacidade de transformar votos em representação institucional. A liderança presidencial se combina com bancadas expressivas e governos estaduais relevantes, ampliando as condições de influência sobre a política nacional.

Se Flávio vencer, essa estrutura poderá facilitar a construção de uma base de governo, embora continue exigindo negociação. Se Lula for reeleito, terá de dialogar com um PL fortalecido nas duas Casas do Congresso.

A Presidência permanece em disputa. Mas o primeiro turno já assegurou ao campo conservador posições que pesarão nas decisões do país durante os próximos anos.

Compartilhar em: