Votação de 2026 expõe dificuldade de transformar o desempenho na disputa pelo Senado em uma base própria para chegar à Câmara
De 737 mil a pouco mais de 15 mil votos: Menezes perdeu todo capital eleitoral no Amazonas

Coronel Menezes registrou uma queda expressiva de votação entre as eleições de 2022 e 2026. Depois de conquistar 737.875 votos para o Senado pelo PL, o candidato disputou uma vaga de deputado federal pelo Avante e apareceu com 15.863 votos no levantamento consultado, com 99,55% das seções apuradas. A diferença evidencia a distância entre o protagonismo alcançado há quatro anos e o desempenho na eleição deste domingo (4).
Em números absolutos, a redução supera 722 mil votos, equivalente a aproximadamente 97,85%. A comparação, entretanto, envolve cargos e sistemas eleitorais diferentes: em 2022, Menezes participou de uma disputa majoritária; em 2026, concorreu em uma eleição proporcional, com maior número de candidatos e distribuição de cadeiras vinculada ao desempenho dos partidos.
Essa diferença impede tratar o recuo como uma medição direta de rejeição ou afirmar que os mesmos eleitores abandonaram o candidato. Ainda assim, o contraste permite uma leitura política: Menezes não conseguiu reproduzir, na disputa pela Câmara, a mobilização eleitoral que o colocou entre os principais nomes do Amazonas em 2022.
Na eleição para o Senado de 2022, Menezes terminou em segundo lugar, com 38,98% dos votos válidos, atrás de Omar Aziz, eleito com 784.007 votos. Embora derrotado, saiu daquela disputa com uma votação expressiva e visibilidade estadual.
O resultado alimentava a expectativa de que pudesse construir uma candidatura competitiva em uma eleição seguinte. Em 2026, porém, a votação para deputado federal ficou muito abaixo daquela marca.
O ponto central é a dificuldade de converter uma votação obtida em determinado contexto político em apoio duradouro. Os números sugerem que o desempenho de 2022 não se transformou em uma base pessoal capaz de acompanhar Menezes com a mesma intensidade em outra disputa.
A comparação também envolve uma mudança de legenda. Menezes disputou o Senado pelo PL em 2022 e concorreu à Câmara Federal pelo Avante em 2026. A alteração modificou sua posição partidária e o ambiente de competição eleitoral.
É possível interpretar essa mudança como um dos elementos a serem examinados no balanço de sua trajetória. Entretanto, os resultados, isoladamente, não demonstram quanto da queda decorreu da saída do PL, das alianças adotadas, da estrutura de campanha ou da concorrência com outros candidatos.
Para estabelecer o peso de cada fator, seria necessário avaliar a distribuição municipal dos votos, os apoios recebidos e a organização das duas campanhas.
O desempenho de 2026 enfraquece a ideia de que os quase 738 mil votos de 2022 constituíam um patrimônio eleitoral automaticamente disponível para qualquer candidatura de Menezes.
A leitura que emerge das urnas é de uma forte desidratação de sua capacidade de mobilização. O candidato que chegou perto do Senado há quatro anos não conseguiu repetir aquela competitividade na corrida pela Câmara Federal.
Mais do que a diferença numérica, o resultado impõe um desafio político: reconstruir uma base de apoio e demonstrar que sua presença eleitoral pode sobreviver às mudanças de cargo, partido e circunstância de campanha e ao afastamento total da Direita no Amazonas.










