Comparação dos resultados aponta diferença de aproximadamente 19,5 pontos entre os candidatos do PL fora de Manaus
Maria do Carmo vê na votação de Flávio no interior possibilidade de virada no segundo turno

A votação de Flávio Bolsonaro (PL) no interior do Amazonas oferece um ponto de partida para compreender as possibilidades de crescimento de Maria do Carmo (PL) no segundo turno contra Omar Aziz (PSD). Embora pertençam ao mesmo partido, o presidenciável e a candidata ao governo tiveram desempenhos distintos fora da capital, indicando que o apoio ao projeto nacional do PL não se reproduziu na mesma proporção na disputa estadual.
Nos levantamentos publicados após o primeiro turno, Flávio aparece com aproximadamente 335,2 mil votos no interior, enquanto Maria somou cerca de 136,4 mil. A diferença entre os dois fica próxima de 199 mil votos. Os totais são aproximados porque foram calculados descontando dos resultados estaduais os recortes de Manaus ainda com pequenas parcelas da apuração pendentes.
Convertidos em participação nos votos válidos de cada disputa, esses números permitem estimar o seguinte quadro:
Percentual aproximado dos votos válidos
Flávio Bolsonaro — Presidência
335,2 mil votos
33,9%
Maria do Carmo — Governo
136,4 mil votos
14,4%
A distância de aproximadamente 19,5 pontos percentuais sustenta uma leitura política: existe no interior uma presença eleitoral do PL na disputa presidencial superior à demonstrada pela candidatura de Maria ao governo. Isso representa uma possibilidade de expansão, mas não permite tratar os quase 199 mil votos de diferença como um contingente automaticamente disponível para a candidata.
O voto para presidente e o voto para governador obedecem a escolhas diferentes. Um eleitor pode apoiar Flávio e, ao mesmo tempo, preferir Omar ou outro nome na disputa estadual. Os resultados agregados também não identificam quantos eleitores votaram simultaneamente nos dois candidatos do PL.
A importância desse cenário aumenta quando se observa onde Omar construiu sua liderança. Fora de Manaus, o candidato do PSD recebeu aproximadamente 487,3 mil votos, abrindo uma vantagem próxima de 351 mil sobre Maria. Na capital, ela terminou à frente dele, mas por uma diferença muito menor, de cerca de 16,4 mil votos no recorte consultado.
Assim, a eventual aproximação entre as votações de Maria e Flávio no interior pode reduzir parte da desvantagem estadual. Entretanto, mesmo alcançar o patamar registrado pelo presidenciável no primeiro turno não significaria, isoladamente, assegurar a vitória: o segundo turno envolve a redistribuição dos votos de todos os candidatos eliminados e possíveis mudanças na participação eleitoral.
A “senha” para uma possível virada, portanto, aparece como hipótese eleitoral: transformar a afinidade de parte do eleitorado com Flávio Bolsonaro em apoio também à candidatura estadual do PL.
A diferença entre os percentuais mostra que essa convergência ficou incompleta no primeiro turno. No segundo, as urnas revelarão se o vínculo partidário ganhará força ou se os eleitores do interior continuarão separando suas escolhas para a Presidência e para o Governo do Amazonas.










