Menezes engrossa lista de ex-aliados que perderam força longe do palanque de Bolsonaro: de 737 mil a 15 mil votos

Derrota de Menezes no Amazonas lembra trajetórias de políticos que não conseguiram repetir o desempenho alcançado durante aproximação com o bolsonarismo

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O coronel Alfredo Menezes terminou as eleições de 2026 com um resultado muito distante daquele que o projetou como uma das principais lideranças bolsonaristas do Amazonas. Depois de receber 737.875 votos para o Senado em 2022, ficou com 15.869 votos na disputa pela Câmara Federal, pelo Avante, e não conquistou uma cadeira.

Os números são de disputas diferentes, uma majoritária e outra proporcional e não representam uma transferência direta de eleitores. Ainda assim, a distância entre as duas votações evidencia a dificuldade de Menezes para transformar a projeção de 2022 em um mandato parlamentar.

Neste ano, o coronel ingressou no Avante e passou a integrar o grupo de David Almeida, depois de deixar a União Progressista. A mudança o afastou do palanque partidário do PL, pelo qual havia disputado o Senado.

Há uma distinção necessária: Menezes continuou declarando apoio a Flávio Bolsonaro para presidente. Seu caso, portanto, envolve uma mudança de alianças locais e perda de espaço no grupo bolsonarista, enquanto outros antigos aliados romperam publicamente com Jair Bolsonaro.

Joice Hasselmann protagonizou um dos exemplos mais claros de desidratação eleitoral. Eleita deputada federal por São Paulo em 2018, pelo PSL, recebeu 1.078.666 votos. Após romper com Bolsonaro, tentou a reeleição em 2022 pelo PSDB e conseguiu apenas 13.679 votos, ficando fora da Câmara.

A parlamentar, que chegou a exercer a liderança do governo no Congresso, rompeu com o núcleo bolsonarista em 2019. Na eleição seguinte, não conseguiu preservar a votação que a havia colocado entre os principais nomes da direita paulista.

Alexandre Frota também foi eleito deputado federal na onda de 2018, com 155.522 votos. Depois do rompimento com Bolsonaro, disputou uma vaga de deputado estadual em 2022 e recebeu 24.224 votos, insuficientes para chegar à Assembleia Legislativa de São Paulo.

Sua trajetória, porém, impede afirmar que nunca mais teve sucesso eleitoral: Frota foi eleito vereador de Cotia em 2024, com 2.893 votos. Posteriormente, a Câmara municipal oficializou a perda do mandato, em outubro de 2025, em decorrência de condenação criminal definitiva uma causa distinta do rompimento político com Bolsonaro.

João Doria associou sua campanha ao bolsonarismo no segundo turno de 2018, quando venceu a eleição para governador de São Paulo. A dobradinha ficou conhecida como “BolsoDoria”. Depois, os dois passaram a protagonizar confrontos públicos.

Em 2022, Doria deixou o governo para tentar disputar a Presidência, mas acabou desistindo da candidatura diante do isolamento e das pressões dentro do PSDB. Nesse caso, o recuo ocorreu antes da votação, e não por uma derrota nas urnas.

As trajetórias permitem uma leitura política: candidatos impulsionados por uma liderança nacional podem encontrar dificuldades para manter o eleitorado quando mudam de posição ou de alianças. Isso não significa que o afastamento explique sozinho cada derrota; partido, cargo disputado, concorrência e decisões de campanha também pesam.

No Amazonas, o resultado de Menezes expõe justamente essa dificuldade. A votação expressiva de 2022 não se converteu em uma base suficiente para elegê-lo deputado federal em 2026. O coronel mudou de palanque, mas não conseguiu levar consigo a força eleitoral que antes o colocava entre os protagonistas da disputa.

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