Candidata aproxima a disputa estadual da eleição presidencial e tenta transformar a mobilização da direita em votos para chegar ao governo
Maria do Carmo aposta na onda Flávio Bolsonaro para virar jogo no Amazonas

A candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), aposta na força eleitoral de Flávio Bolsonaro para impulsionar sua campanha no segundo turno contra Omar Aziz (PSD). Ao reforçar a ligação com o presidenciável e destacar o número 22, comum às duas candidaturas, ela procura transformar a disputa estadual em parte da mobilização nacional do bolsonarismo.
A analogia que orienta essa estratégia é direta: enquanto Flávio enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida pelo Palácio do Planalto, Maria disputa o governo amazonense contra Omar, aliado do petista. A candidata busca apresentar as duas escolhas como um mesmo projeto político, ligando a mudança no comando do Brasil à mudança no Executivo estadual.
Nessa leitura, a eleição presidencial funcionaria como uma corrente capaz de impulsionar a candidatura estadual. A aposta é que o eleitor mobilizado para votar em Flávio também escolha Maria, consolidando uma dobradinha do PL nas urnas.
O movimento ganhou um gesto concreto nesta quarta-feira (7), quando Maria esteve em Brasília e participou de agendas com lideranças nacionais do partido, incluindo Flávio e Michelle Bolsonaro. A aproximação reforça a tentativa de colocar o Amazonas dentro da estratégia nacional da legenda para o segundo turno. 
O número 22 oferece uma vantagem de comunicação: permite à campanha associar, em uma mensagem simples, o voto para presidente ao voto para governadora. Nas redes sociais, Maria vem ampliando essa identificação, com publicações ao lado de Flávio e referências à bandeira brasileira.
Politicamente, a intenção é fazer com que a disputa contra Omar seja interpretada também pelo eixo Lula versus Bolsonaro. Assim, a candidatura estadual tenta absorver a energia da campanha presidencial e alcançar eleitores que se identificam com a direita, mas fizeram outra escolha para governador no primeiro turno.
Essa transferência, porém, não é automática. O eleitor pode apoiar Flávio para presidente e escolher Omar para governador, considerando propostas, trajetória, alianças municipais ou relações com lideranças locais. É justamente esse voto dividido que Maria precisará disputar.
Para que a chamada “onda Flávio Bolsonaro” produza uma vitória no Amazonas, Maria terá de converter afinidade política em adesão à sua própria candidatura. Isso exige combinar a mobilização nacional com propostas para saúde, segurança, educação, emprego e infraestrutura.
O interior será uma frente decisiva nessa estratégia. A campanha precisará ampliar sua presença nos municípios e convencer o eleitor de que a aliança com Flávio pode representar resultados concretos para o estado. A força de um palanque presidencial pode abrir portas, mas a disputa pelo governo mantém suas próprias demandas.
Maria aposta, portanto, em fazer as duas campanhas avançarem juntas. O desafio do segundo turno será demonstrar que a corrente eleitoral que pretende levar Flávio ao Planalto também tem força para conduzi-la ao Governo do Amazonas.










