Adesões ampliam palanque do senador nesta primeira semana do segundo turno; candidata do PL busca reforço na aliança com Flávio
Omar arregimenta política tradicional do Amazonas e reduz espaço de Maria entre lideranças locais

O senador Omar Aziz (PSD) está transformando a primeira semana do segundo turno em uma demonstração de força política. Com adesões de gestores municipais, parlamentares e grupos que estiveram em palanques adversários, o candidato ao Governo do Amazonas amplia sua sustentação entre as estruturas tradicionais da política estadual e impõe a Maria do Carmo (PL) o desafio de enfrentar uma aliança com presença na capital e no interior.
O sinal mais expressivo dessa movimentação vem dos municípios. Segundo informações divulgadas pela campanha e reproduzidas pelo Portal Manaós, Omar passou a contar com o apoio dos prefeitos das 62 cidades amazonenses. No primeiro turno, eram 55. Entre as novas adesões estão Thomé Neto, de Autazes; Macelly Veras, de Maués; Radinho Alves, de Barcelos; Toco Santana, de Borba; e Lúcio Flávio, de Manicoré.
A concentração de apoios municipais indica uma vantagem de articulação para o senador, especialmente no interior. Prefeitos e suas bases podem contribuir com mobilização, interlocução comunitária e presença de campanha. Essa capacidade, entretanto, depende do envolvimento efetivo das lideranças e da resposta dos eleitores.
Na capital, a adesão do prefeito Renato Júnior representa uma das principais conquistas políticas de Omar nesta semana. O apoio foi anunciado na segunda-feira (5), após David Almeida, candidato sustentado pelo prefeito no primeiro turno, ficar fora da etapa decisiva.
O movimento ganhou dimensão partidária com a entrada do Avante. Conforme comunicado divulgado pelo PSD, a decisão foi construída pelas executivas estadual e municipal, com participação de David Almeida e Renato Júnior. O anúncio incorpora ao palanque de Omar um grupo que, até a votação de domingo, disputava o governo em candidatura própria.
As adesões também alcançam antigos adversários no Legislativo. Na quarta-feira (7), o deputado estadual Mário César Filho, do União Brasil, anunciou apoio ao senador em vídeo nas redes sociais, segundo o PSD. O posicionamento evidencia a aproximação de integrantes de partidos que não compunham sua aliança original.
Esses reforços se somam à coligação formada desde o primeiro turno por PSD, MDB, Republicanos e Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV. Omar, portanto, amplia uma base que já congregava diferentes forças partidárias do Amazonas.
Nesse cenário, Maria do Carmo enfrenta um isolamento relativo entre os gestores municipais e os grupos que estão aderindo ao adversário. A candidata, contudo, mantém sustentação partidária: nesta quarta-feira (7), participou de uma reunião em Brasília com Valdemar Costa Neto, Alfredo Nascimento, Sargento Salazar e Capitão Alberto Neto para alinhar a campanha do PL no segundo turno.
A disputa apresenta, assim, estratégias distintas. Enquanto Omar expande sua rede de alianças estaduais e municipais, Maria reforça o próprio partido e sua associação com Flávio Bolsonaro, de quem é aliada na eleição presidencial. A leitura política dessas movimentações aponta para um confronto entre a capilaridade das lideranças locais reunidas pelo senador e a capacidade de mobilização do eleitorado bolsonarista pela candidata.
Omar pretende apresentar parte dessa rede de apoios em um encontro marcado para sexta-feira (9), às 16h, na Universidade Nilton Lins, em Manaus, conforme reportagem do BNC Amazonas. A reunião deverá reunir representantes de diferentes grupos e dar dimensão pública às articulações realizadas nesta semana.
A vantagem na construção de alianças aumenta os recursos políticos disponíveis para Omar, mas não assegura transferência automática de votos. Seu desafio será converter as adesões em atuação de campanha. Para Maria, a tarefa será ampliar o alcance além de sua base e conquistar eleitores mesmo em municípios cujos prefeitos se posicionaram ao lado do adversário.










