Adesão do Avante amplia a aliança de Omar Aziz, mas aproxima o senador de um ex-adversário que liderava a rejeição em pesquisa na reta final do primeiro turno.
O barco de Omar recebe mais um apoio de peso: David Almeida

O barco de Omar Aziz (PSD) ganhou mais um passageiro de peso na disputa pelo Governo do Amazonas: David Almeida (Avante). O ex-prefeito de Manaus, que ficou fora do segundo turno, participou da decisão do Avante de apoiar o senador contra Maria do Carmo (PL). A deliberação ocorreu em reunião das executivas estadual e municipal, com a presença também do prefeito Renato Júnior.
A adesão reforça a capacidade de articulação de Omar, mas traz uma questão para sua campanha: o peso de um aliado pode representar tanto força política quanto desgaste eleitoral.
David chegou à reta final do primeiro turno com o maior índice de rejeição entre os candidatos avaliados pela Real Time Big Data. Segundo o levantamento divulgado antes da votação, 48% dos entrevistados afirmaram que não votariam nele. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro. Esse indicador mede a resistência à candidatura naquele momento, e não deve ser confundido com o resultado das urnas.
Na votação, o ex-prefeito terminou em quarto lugar, com 10,54% dos votos válidos, segundo o balanço divulgado pelo PSD. Agora, o partido que sustentou sua candidatura passa a integrar o conjunto de forças que tenta levar Omar de volta ao comando do Estado.
Na leitura estratégica, Omar ganha acesso à estrutura partidária do Avante e à possibilidade de mobilização de suas lideranças. Entretanto, apoio formal não significa transferência automática de votos. O eleitor que escolheu David no primeiro turno mantém liberdade para seguir outro caminho na etapa decisiva.
É nesse ponto que a metáfora do barco encontra seu sentido político. Cada novo aliado pode ajudar a remar, mas também embarca com sua própria bagagem: histórico, interesses, compromissos e resistência perante parte do eleitorado. No caso de David, a rejeição registrada antes do primeiro turno torna essa equação especialmente relevante.
Para Omar, o desafio será transformar a ampliação do palanque em confiança nas urnas. Para Maria do Carmo, a aproximação oferece espaço para questionar a concentração de lideranças tradicionais em torno do adversário.
A chegada de David, portanto, aumenta o tamanho da aliança e também a responsabilidade de quem conduz a embarcação. O barco de Omar está mais cheio. Saber se o novo peso dará impulso ou dificultará a travessia dependerá da resposta dos eleitores no segundo turno










