Será coincidência? Após derrota nas urnas, Cidade consegue formalizar empréstimo de R$ 1,462 bilhão

Assinatura ocorre cinco dias depois do primeiro turno e coloca sob atenção uma dívida que atravessará os próximos governos e estava sendo duramente combatida e criticada por apoiadores do senador Omar Aziz

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O calendário chama atenção. Cinco dias após o primeiro turno, no qual Roberto Cidade não avançou na disputa pelo Governo do Amazonas, sua gestão conseguiu formalizar um empréstimo de R$ 1,462 bilhão com o Banco do Brasil. Segundo o portal AM1, o contrato foi assinado em 9 de outubro e teve extrato publicado no Diário Oficial do Estado.

As perguntas são diretas: por que assumir uma obrigação desse tamanho neste momento? Quais benefícios concretos ela entregará à população? Quais os motivos que esse valor que antes não era legalmente permitido, simplesmente agora foi concedido? Será que as mesmas “forças ocultas” que agiam pela não liberação dos recursos agora agiram a favor?

Conforme a publicação, o financiamento prevê amortização em 120 meses e juros vinculados ao CDI, acrescidos de 1,20% ao ano. A destinação indicada é o financiamento de despesas de capital previstas no planejamento orçamentário estadual. Durante a campanha, Cidade defendeu a operação como necessária para investimentos em infraestrutura, incluindo asfaltamento no interior.

A justificativa exige detalhamento: quais obras serão financiadas, quais municípios serão atendidos e quanto o Estado pagará ao longo do contrato? Uma operação bilionária precisa vir acompanhada de informações que permitam ao contribuinte acompanhar sua execução.

Esse ponto merece atenção. Segundo reportagem do Amazonas Direito, uma decisão de 30 de setembro permitiu o avanço da contratação, mas proibiu o desembolso e a movimentação dos recursos até nova deliberação judicial. A notícia da assinatura, portanto, não comprova que o dinheiro tenha sido liberado.

A proximidade com a eleição justifica o questionamento, mas não demonstra, por si só, favorecimento político ou irregularidade. Para esclarecer o episódio, é necessário conhecer o cronograma administrativo, a situação atual das restrições judiciais e as condições efetivas de utilização dos recursos.

Será coincidência? A resposta precisa vir com documentos, transparência e prestação de contas. Afinal, o mandato termina; a dívida permanece.

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