Campanha incorpora o animal às redes sociais e transforma um ataque à aparência do candidato em conteúdo bem-humorado para seus apoiadores
OMAR ACERTA AO ADOTAR A “CAPIVARA” COMO MASCOTE E TENTA ESVAZIAR PROVOCAÇÃO DE SALAZAR

O senador Omar Aziz (PSD) encontrou uma resposta politicamente mais eficiente para a provocação do Sargento Salazar: incorporar a capivara à comunicação de sua candidatura ao Governo do Amazonas. Ao tratar o animal como uma espécie de mascote no segundo turno, sua campanha procura retirar o caráter ofensivo do apelido e transformar a comparação em uma imagem favorável.
Salazar, aliado de Maria do Carmo (PL), chamou Omar de “cara de capivara”. Segundo o BNC Amazonas, a campanha do senador inicialmente rechaçou a ofensa e, na sexta-feira (9), passou a divulgar figurinhas e artes associando o candidato ao animal. A reação abriu espaço para uma leitura diferente da provocação: o que era usado para ridicularizar passou a integrar a mobilização dos próprios apoiadores.
Na avaliação editorial do FOCO NO FATO, há um acerto de comunicação nessa escolha. Ao assumir a associação com humor, Omar reduz o espaço para que seus adversários explorem apenas o constrangimento provocado pelo apelido.
A estratégia muda a posição do candidato dentro da controvérsia. Em vez de permanecer reagindo à comparação, ele passa a utilizá-la em seu próprio benefício. Para quem apoia o senador, compartilhar uma capivara pode se tornar uma manifestação de identificação com a campanha.
Isso não significa que o episódio tenha produzido ganhos eleitorais comprovados. Sem indicadores específicos, não é possível medir seu efeito sobre a intenção de voto. O resultado perceptível está na mudança de abordagem: a campanha oferece um sentido positivo para uma expressão usada como ataque pessoal.
Embora tenha sido retomada por Salazar nesta disputa, a comparação não é inédita. Jair Bolsonaro já havia chamado Omar de “cara de capivara” em novembro de 2021, durante um evento no Paraná, no contexto dos embates envolvendo a CPI da Covid. 
A novidade, portanto, está na maneira como a candidatura decidiu responder ao apelido neste segundo turno. A capivara deixa de aparecer somente na fala dos adversários e passa a circular também como personagem da comunicação favorável ao senador.
O acerto na resposta não elimina as cobranças sobre Omar, suas alianças ou seu projeto de governo. Um mascote pode tornar a comunicação mais leve, mas não responde às demandas da população por saúde, segurança, educação e desenvolvimento.
Ainda assim, nesse episódio específico, a campanha encontrou uma saída inteligente: apropriar-se da provocação para diminuir sua força ofensiva. Ao assumir a capivara, Omar tenta fazer com que a repetição do apelido também divulgue uma imagem que seus próprios apoiadores passaram a utilizar.










