Campanha aposta em uma identidade própria à disputa estadual e utiliza o humor para ampliar diálogo com eleitores além de sua base política
Omar entra no segundo turno com Lula em segundo plano, menos polarização e marketing bem humorado

O senador Omar Aziz (PSD) iniciou o segundo turno da disputa pelo Governo do Amazonas com uma comunicação que procura colocar sua candidatura acima do confronto presidencial. A estratégia observada nas primeiras peças de propaganda combina três movimentos: reduzir o protagonismo de Lula, evitar que a eleição estadual seja inteiramente dominada pela polarização nacional e construir uma imagem mais acessível do candidato.
Na estreia da propaganda do segundo turno, em 9 de outubro, essa escolha apareceu de maneira concreta. Segundo levantamento de A Crítica, Omar não fez menção direta ao presidente, embora a marca de Lula e o número 13 estivessem presentes. Maria do Carmo (PL), por sua vez, reforçou sua associação com Flávio Bolsonaro. O contraste sugere duas apostas: nacionalizar a disputa ou preservar uma identidade estadual.
A presença discreta do presidente permite uma leitura política: Omar procura manter os votos de quem apoia Lula e, simultaneamente, diminuir as barreiras para conquistar eleitores que fazem outra escolha na corrida presidencial.
Isso não significa distanciamento com o petista. Há, inclusive, uma sinalização que impede tratar o tema como regra definitiva: em entrevista ao BNC Amazonas, no dia 9, Omar antecipou que Lula ganharia mais presença em sua propaganda. Portanto, o que se pode identificar é uma dosagem da exposição do aliado, e não sua exclusão da campanha.
Sob a perspectiva do marketing político, essa dosagem busca evitar que o eleitor avalie a candidatura ao governo exclusivamente pela preferência entre Lula e Flávio Bolsonaro. A mensagem implícita é que a escolha para o Amazonas pode seguir critérios próprios.
Outro episódio ajuda a compreender a linha de comunicação adotada. A comparação de Omar com uma capivara, utilizada por adversários para ridicularizá-lo, foi incorporada pela campanha e transformada em mascote. O que nasceu como provocação passou a abastecer conteúdos favoráveis ao candidato nas redes sociais.
A operação demonstra capacidade de ressignificar um ataque: ao assumir a brincadeira, a campanha procura retirar sua força ofensiva e converter a repercussão em familiaridade. O humor também oferece uma linguagem mais leve para apresentar um político de longa trajetória a públicos que não acompanham diariamente a disputa.
É nesse episódio que a eficiência criativa do marketing fica mais evidente. A equipe identificou uma oportunidade e respondeu com um símbolo simples, reconhecível e fácil de compartilhar. Isso, porém, não permite concluir que a repercussão tenha se convertido em votos.
A leitura das primeiras peças e da reação aos ataques aponta para uma campanha interessada em ampliar seu campo de diálogo. Reduzir a centralidade de Lula e adotar uma comunicação bem-humorada são movimentos compatíveis com esse objetivo.
Sem acesso ao planejamento interno da equipe, não é possível afirmar que essas diretrizes tenham sido formalmente estabelecidas. Mas os sinais públicos permitem identificar uma orientação: dar protagonismo a Omar, administrar o peso dos aliados e impedir que os adversários controlem sozinhos a imagem do candidato.
O desafio será sustentar essa estratégia durante um segundo turno propenso ao confronto. O marketing já mostrou capacidade de transformar provocação em oportunidade. Sua eficácia eleitoral dependerá de algo mais exigente: convencer o eleitor de que, por trás da embalagem, existe uma proposta de governo capaz de responder às necessidades do Amazonas.










