Quarto colocado na disputa pelo governo, ex-prefeito integra o apoio a Omar Aziz, mas ainda precisa demonstrar capacidade de transformar sua adesão em votos
David Almeida sai das urnas enfraquecido e chega ao segundo turno sem nenhuma relevância

David Almeida pretendia chegar ao segundo turno como candidato ao Governo do Amazonas. Acabou chegando como apoiador, depois de terminar a primeira etapa em quarto lugar. A mudança de posição expõe um constrangimento político: quem buscava comandar a sucessão estadual agora precisa demonstrar qual influência conserva sobre uma disputa conduzida por seus antigos adversários.
O resultado das urnas dimensiona esse enfraquecimento. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, David recebeu 216.660 votos, correspondentes a 10,59% dos votos válidos. Ficou atrás de Omar Aziz, Maria do Carmo e Roberto Cidade, encerrando sua candidatura distante da classificação para a etapa decisiva.
Na sequência, o Avante anunciou apoio a Omar. A decisão foi tomada pelas executivas estadual e municipal, em reunião com a participação de David Almeida e do prefeito de Manaus, Renato Junior. A adesão acrescentou uma estrutura partidária à campanha do senador, mas seu anúncio, por si só, não comprova transferência de votos.
É nesse ponto que aparece a fragilidade política do ex-prefeito. Ter recebido votos como candidato não significa conservar autoridade para determinar o destino deles depois da derrota. O eleitor que escolheu David no primeiro turno pode acompanhar sua orientação, optar pela adversária de Omar ou simplesmente não escolher nenhum dos dois.
Para alguém que deixou a Prefeitura de Manaus para disputar o governo, terminar em quarto lugar representa uma redução expressiva de protagonismo. A passagem de candidato a aliado também altera seu poder de negociação: David já não apresenta um projeto próprio ao eleitorado e passa a defender a candidatura que sobreviveu à disputa.
A leitura crítica é que seu apoio tem, até aqui, mais significado como reposicionamento político do que como demonstração de força eleitoral. Ao integrar a aliança de Omar, David procura preservar espaço no cenário que emergirá das urnas. Quanto essa movimentação acrescenta ao candidato apoiado, entretanto, permanece uma questão em aberto.
Não há, nas informações verificadas para esta análise, uma medição que permita atribuir especificamente à adesão de David qualquer crescimento de Omar. Por isso, afirmar que seu apoio tem efeito absolutamente nulo ultrapassaria o que os dados permitem concluir. O fato comprovado é seu desempenho insuficiente para chegar ao segundo turno; a capacidade de influenciar a etapa seguinte ainda precisa ser demonstrada.
O constrangimento está nessa inversão de papéis. David entrou na eleição para ser o centro das decisões e saiu dependendo da vitória de outro candidato para preservar relevância. Seu desafio agora é mostrar que ainda consegue mobilizar eleitores porque o anúncio de apoio já foi feito, mas o peso desse apoio continua sem comprovação.










