Análise sobre o fim da escala 6×1
Coluna 05 de Ronaldo Martins | Mensalão, Petrolão, Master e INSS: escala 5×2 não vai quebrar o Brasil

Antes que me chamem de comunista, socialista ou usem qualquer um desses termos associados à esquerda, preciso me posicionar: sou o primeiro a defender o empresariado e o dono do pequeno e médio negócio, que rala todos os dias para levar o sustento para casa e tira da própria goela para pagar os pesados impostos.
Posto isso, vamos ao cerne da questão: o fim da escala 6×1, aprovado no Congresso Nacional nesta semana, não vai quebrar o Brasil — como muitos afirmam — e vou tentar, ao longo deste texto, explicar por quê.
Vamos aos fatos: o Brasil teve, nos últimos anos, alguns dos maiores escândalos de corrupção de sua história, como Mensalão, Petrolão, Banco Master e o caso envolvendo o INSS. São casos que movimentaram cifras bilionárias e provocaram enormes prejuízos, de diferentes formas, aos cofres públicos e à sociedade.
Isso sem contar os escândalos envolvendo municípios e estados da Federação, que ocorrem diariamente e estampam as capas dos jornais. Somados, os valores também chegam à casa dos bilhões. E, nem por isso, o Brasil quebrou.
E todo esse prejuízo às custas de quem? Isso mesmo: do trabalhador que rala na escala 6×1 e ganha um salário de cerca de R$ 1,8 mil. E que fique claro: também do empresário, que paga uma alta carga tributária, além dos encargos trabalhistas e das inúmeras despesas para manter seu negócio funcionando todos os dias.
Vale lembrar: quem produz a riqueza do nosso país são os trabalhadores e os empresários. É por meio da atividade econômica, dos impostos, taxas e tributos que os recursos chegam aos cofres públicos e, posteriormente, são administrados pelos agentes públicos.
Ou seja, é o esforço do trabalhador e do empresário que sustenta a máquina pública e que, infelizmente, também acaba financiando prejuízos bilionários provocados por casos de corrupção e má gestão, enquanto milhões de brasileiros lutam diariamente para sobreviver neste país.
Não tenho dúvidas de que o tema do fim da escala 6×1 foi “atropelado” em meio ao período eleitoral e deveria ter sido discutido com mais profundidade, principalmente sobre os impactos para pequenos e médios empresários. Com as mudanças, o trabalhador terá mais um dia de descanso.
Mas, enquanto o “status quo” não muda, não é justo que o trabalhador continue pagando sozinho essa conta.










