Flávio cita “nove dedos” ao atacar Lula em debate na Globo

O debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23), foi marcado por um confronto verbal envolvendo o salário mínimo e uma referência à deficiência física do presidente. Durante a discussão, Flávio afirmou que Lula “não adianta você dar com uma mão e tirar com …

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O debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23), foi marcado por um confronto verbal envolvendo o salário mínimo e uma referência à deficiência física do presidente. Durante a discussão, Flávio afirmou que Lula “não adianta você dar com uma mão e tirar com os nove dedos”.

A troca de declarações começou quando Lula questionou o adversário sobre sua posição em relação à tarifa zero no transporte público. Flávio respondeu que era favorável à medida. Na sequência, os candidatos passaram a discutir o salário mínimo.

Lula afirmou que os aumentos do piso salarial durante seus governos e a gestão de Dilma Rousseff (PT) foram resultado de suas políticas. Em resposta, Flávio utilizou a expressão “dar com uma mão e tirar com os nove dedos”, em referência à amputação do dedo mínimo da mão esquerda do presidente.

Em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico numa metalúrgica em São Paulo, Lula teve o dedo esmagado por uma prensa durante um turno de madrugada, e ele precisou ser amputado. O petista já relatou que o acidente, e o atendimento precário que recebeu, contribuíram para sua aproximação com o movimento sindical.

Referências à amputação, como o apelido “nove dedos”, são usadas há anos por opositores de Lula e costumam ser criticadas por ativistas dos direitos das pessoas com deficiência como capacitistas.

A legislação brasileira não prevê um crime com o nome de capacitismo. A Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) pune, no artigo 88, quem pratica ou incita discriminação contra pessoa em razão de sua deficiência, com pena de 1 a 3 anos de reclusão, que pode chegar a 5 anos se o ato for cometido por meio de comunicação social. Especialistas, porém, ressaltam que considerar uma fala capacitista não significa, automaticamente, que ela configure crime.

O debate, que ainda está em andamento, é o último encontro entre os dois candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Flávio havia sido aconselhado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao não demonstrar arrogância. No primeiro bloco, esqueceu o conselho.

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