Ah, o Brasil! A terra onde o inesperado sempre espera na próxima esquina e onde o teatro político por vezes mais parece uma tragicomédia de erros. Entre seus novos protagonistas, nos deparamos com o Deputado Federal, Capitão Alberto Neto. Um direitista para muitos, mas que, ao que parece, decidiu buscar inspiração nas atitudes questionáveis do …
???? Coluna 42 de Gabriel F. Melo | Capitão Alberto Neto: O “Xandão” do Amazonas?

Ah, o Brasil! A terra onde o inesperado sempre espera na próxima esquina e onde o teatro político por vezes mais parece uma tragicomédia de erros. Entre seus novos protagonistas, nos deparamos com o Deputado Federal, Capitão Alberto Neto. Um direitista para muitos, mas que, ao que parece, decidiu buscar inspiração nas atitudes questionáveis do Ministro Alexandre de Moraes. Sim, caro leitor, parece que o Amazonas tem o seu próprio “Xandão”.
O fato mais recente e de puro deslumbramento foi a expulsão autoritária do Coronel Menezes pelo Partido Liberal do Amazonas, presidido, por ironia do destino, pelo próprio Capitão Alberto Neto na esfera municipal. Um processo que mais se assemelha a uma novela mexicana, com direito a vilões caricatos e tramas mirabolantes, do que a um procedimento partidário.
O Coronel Menezes, coitado, resolveu exercer um dos pilares de nossa democracia, a tão amada e constantemente violada, liberdade de expressão. E pelo visto, isso é algo que o capitão não gosta muito.
A forma como tudo foi conduzido beira o cômico, se não fosse trágico. Talvez até pudéssemos todos dar boas risadas ao redor de uma mesa de bar. Neto, em uma sagaz estratégia digna dos melhores romances policiais, instaurou uma comissão disciplinar para avaliar as falas do Coronel Menezes. A pegadinha? Os membros dessa comissão foram indicados pelo próprio Neto para julgarem as falas contra ele mesmo! Como diz o ditado, “Quer fazer algo bem feito? Faça você mesmo”. Ou, no caso de Neto, “Quer absolver-se de qualquer crítica? Indique seus amigos para o júri”. Parece até coisa de filme, onde o vilão tenta controlar todo o enredo.
E não é apenas a liberdade de expressão que está em jogo aqui, mas também a representatividade democrática. O Coronel Menezes não é qualquer um: ele obteve mais de 750 mil votos no Amazonas nas últimas eleições. Mas parece que para Alberto Neto, esses votos são apenas números, irrelevantes diante de suas ambições eleitorais.
O que o Capitão Neto esquece é que, ao tentar silenciar vozes contrárias, ele se torna um eco daquilo que alega combater. O modus operandi de Moraes, tão criticado por muitos, parece ter encontrado um discípulo fiel em terras amazônicas.
Ao leitor, resta a reflexão: que tipo de democracia queremos? Uma onde os poderosos calam os discordantes, ou uma onde todos têm o direito de se expressar? Que o “Xandão do Amazonas” sirva de alerta sobre os caminhos tortuosos que a política pode tomar. E que, acima de tudo, não nos esqueçamos de que a verdadeira força de uma nação está em sua capacidade de ouvir todas as vozes, mesmo aquelas que desagradam.











