???? Lula vai a Cuba, que não tem como pagar dívida com Brasil

A ditadura de Cuba deve ao Brasil mais de US$ 530 milhões (R$ 2,2 bilhões) e não tem como pagar. Por isso, espera do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma negociação favorável, que já está sendo providenciada pelo governo, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 15, pela Folha de S.Paulo. O assunto pode …

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A ditadura de Cuba deve ao Brasil mais de US$ 530 milhões (R$ 2,2 bilhões) e não tem como pagar. Por isso, espera do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma negociação favorável, que já está sendo providenciada pelo governo, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 15, pela Folha de S.Paulo.

O assunto pode ser discutido em reunião ainda nesta segunda-feira, quando Lula desembarca em Havana para uma reunião com o ditador Miguel Díaz-Canel. Em seguida, o petista parte para Nova York, onde participa da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU).

O calote cubano se arrasta desde 2017, quando Cuba deixou de pagar o empréstimo de mais de US$ 600 milhões para obras de infraestrutura, especialmente o Porto de Mariel, a 60 km de Havana. Empréstimos sucessivos à ditadura de Cuba foram liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante os governos de Lula e Dilma Rousseff.

Governo Lula cogita uso de moedas alternativas para Cuba pagar dívida

Dilma Cuba
A ex-presidente Dilma Rousseff participou da inauguração do Porto Mariel em janeiro de 2014 ao lado do então ditador cubano Raúl Castro | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Segundo a Folha, um documento interno do governo brasileiro cita como medidas dessa possível renegociação um desconto no total em atraso, o uso de moedas alternativas ao dólar ou mesmo a realização de pagamentos em commodities cubanas, com charutos ou cigarrilhas.

Já a informação sobre a insolvência de Cuba e a espera de flexibilidade para pagar a dívida consta da ata de uma reunião realizada no último dia 11 entre integrantes do governo brasileiro e de bancos públicos para tratar da dívida de Cuba.

“Autoridades do país externaram não possuir neste momento meios para o pagamento das suas obrigações. As autoridades teriam sinalizado esperar algum tipo de flexibilidade por parte do governo brasileiro — por exemplo, um haircut [abatimento] comparável ao recebido no tratamento da dívida do Clube de Paris em 2015 e, diante da escassez de dólares, uso de moedas alternativas ou recebíveis de commodities cubanas — para permitir a retomada dos pagamentos”, diz o documento citado pela Folha.

OClube de Paris é um órgão internacional que existe desde os anos 1950 para renegociar dívidas de países. O caso citado no documento se refere ao desconto de US$ 2,6 bilhões dado pelo grupo a Cuba em uma dívida de US$ 11,1 bilhões. Os principais produtos de exportação de Cuba são os feitos com tabaco, como os famosos charutos.

Lula vai a Cuba nesta sexta-feira, 15

lula cuba
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e o ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante encontro em Havana – 18/8/2023 | Foto: Divulgação/Twitter/Canel

Lula, que já se encontrou com Díaz-Canel duas vezes desde que assumiu o mandato, irá agora a Cuba. Ele vai à ilha acompanhado dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Nísia Trindade (Saúde) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).

A discussão do incerto pagamento da dívida é uma tentativa de Lula reaproximar o Brasil da ditadura cubana, de quem sempre foi aliado. Lula era amigo pessoal do ex-ditador Fidel Castro, e nos mandatos de Lula e de Dilma as relações entre os dois países se fortaleceram. Ao assumir o governo, Jair Bolsonaro rompeu relações e cessou os empréstimos internacionais para obras de infraestrutura em outros países.

Desde que tomou posse, Lula se encontrou com o ditador cubano ao menos duas vezes. Em 24 de janeiro, os dois se encontraram na Argentina, durante reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Na ocasião, o presidente brasileiro falou em “restabelecer as relações diplomáticas no mundo”. O segundo encontro foi em Paris, em junho, e “marcou a retomada do diálogo com Cuba”, segundo o governo Lula.

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