O setor de eletroeletrônicos do Polo Industrial de Manaus (PIM) teme que a produção de ar-condicionado e de televisões possa ser prejudicada em todo o Brasil neste Natal devido à seca que castiga o Amazonas. A vazante deste ano, uma das mais severas dos últimos 100 anos, além de afetar a produção de diversas indústrias …
???? Seca no Amazonas ameaça abastecimento de ar-condicionado e TV em todo o país no Natal

O setor de eletroeletrônicos do Polo Industrial de Manaus (PIM) teme que a produção de ar-condicionado e de televisões possa ser prejudicada em todo o Brasil neste Natal devido à seca que castiga o Amazonas. A vazante deste ano, uma das mais severas dos últimos 100 anos, além de afetar a produção de diversas indústrias da Zona Franca de Manaus (FZM) está prejudicando a logística para a chegada de insumos. O El Niño intensificou a seca característica deste período do ano na região e reduziu drasticamente o nível de água nos rios, de acordo com informações do UOL.
O escoamento da maior parte da produção da região é feito por meio dos rios e, com o nível baixo da água, houve suspensão do transporte via navios. Há um problema de entrada de insumos e de saída e produtos prontos para a venda. Demanda por ar-condicionado e televisões é alta no final do ano e os produtos precisam ser enviados pelo transporte fluvial, que é mais barato que o aéreo tendo em vista que a única rodovia que poderia ser usada para transportar os itens está intrafegável que é a BR-319.
“Ar condicionado e televisão são os principais problemas no momento no nosso setor eletroeletrônico. No final do ano são os dois produtos mais procurados. Temos a produção de micro-ondas, lava-louça, computadores, celulares, tablets, fones, mas esses dois são os produtos que temos a necessidade de escoar a produção via fluvial. Computador e celular dá para mandar por aviões”, explicou o presidente executivo da Associação Nacional de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento.
De acordo com o UOL, incentivos fiscais recebidos pelo setor também são uma preocupação sobre os dois produtos. Nascimento diz que há empresas com dificuldades para receber os insumos e outras que não conseguem escoar a produção para os grandes centros. Com isso, não conseguem produzir novas peças, já que não possuem espaço para armazenamento.
“Para ter incentivo fiscal, as empresas têm que cumprir etapas de produção que são estabelecidas por regras. Como não chega insumo, as empresas não cumprem essas regras. Estamos indo até o governo, porque tem empresa há 15 dias sem insumo. A previsão de voltar à normalidade é de 10 a 15 dias”, esclareceu.
Normalmente as entregas para o Natal começam neste período do ano. Por enquanto, elas ainda não começaram e Nascimento diz que os produtos levam de 15 a 20 dias para chegarem aos grandes centros. Os envios da Black Friday foram antecipados e, por isso, o abastecimento para a data de promoções está garantido
Falta de insumos
O canal do Panamá também enfrenta dificuldades causadas pelo El Niño, reduzindo o nível de água e o transporte via navios. Lúcio Oliveira, o presidente-executivo da Cieam, diz que grande parte dos insumos que chegam à ZFM vem da Ásia e passam pelo Panamá. Trocar o navio por outro modal de transporte, como o avião, é possível, mas Oliveira diz que é mais difícil fazer esta troca no transporte intercontinental — não há opção de fazer o transporte terrestre e os aviões são muito mais caros.
“Tem indústria que optou chegar no Porto de Santos e trazer de Santos para Manaus por Guarulhos. Mudou justamente para esse momento que, dentro da necessidade, achou que seria uma forma de viabilizar com mais rapidez para colocar o insumo aqui em Manaus”, destacou Oliveira.
A seca está mais intensa neste ano pelo El Niño. O presidente-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), Luís Resano, afirma que trechos dos rios da região estão mais baixos do que o normal, impedindo a passagem de navios. Há três semanas a navegação de navios na região foi suspensa.
Algumas empresas anteciparam os envios para Black Friday e outras buscaram alternativas para garantirem as entregas. Resano diz que algumas companhias, com urgência, optaram por levar os contêineres de mercadorias via barcaças, que são uma espécie de balsa. Os navios têm capacidade de levar de 3 mil a 4,8 mil contêineres cada, enquanto as balsas maiores levam no máximo 400 por vez.
O tempo de navegação também é maior. Os navios demoram de três a quatro dias para subirem o rio, enquanto a balsa leva de cinco a sete dias. Isso deixa o processo mais caro. Jorge Nascimento diz que o transporte de cada contêiner custava US$ 500 e já chega a US$ 3.000 devido à seca. Expectativa da Abac é que navios voltem a operar com menor capacidade em 30 dias. Por outro lado, Resano diz que o tráfego nos rios deve voltar ao normal em 40 dias.











