Semanas antes do trágico acidente aéreo em Vinhedo (SP), que vitimou 62 pessoas na última sexta-feira (9), um piloto da Voepass, Luis Claudio de Almeida, afirmou durante uma audiência pública na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) uma série de pressões que enfrentava para realizar voos fora da escala de trabalho. A escala estaria desrespeitando …
????Piloto relata pressão da VoePass para exceder jornada de trabalho: ‘Vai, vai que dá para voar’

Semanas antes do trágico acidente aéreo em Vinhedo (SP), que vitimou 62 pessoas na última sexta-feira (9), um piloto da Voepass, Luis Claudio de Almeida, afirmou durante uma audiência pública na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) uma série de pressões que enfrentava para realizar voos fora da escala de trabalho.
A escala estaria desrespeitando as necessidades de descanso da tripulação. Ele relatou ter recebido até oito ligações em dias de folga, solicitando que pilotasse, o que, segundo ele, aumenta o risco de um desastre aéreo devido ao cansaço extremo dos pilotos.
Almeida expressou suas preocupações diretamente aos técnicos da Anac, alertando sobre o perigo de que a falta de descanso adequado poderia levar a um acidente fatal. “Nós não queremos entrar nessa estatística”, afirmou o piloto, referindo-se ao risco crescente de acidentes relacionados à fadiga.
A Voepass, em resposta, afirmou que cumpre todos os requisitos legais em relação às jornadas de trabalho e folgas, conforme as normas da Anac. No entanto, a discussão na audiência pública se concentrava na possível mudança do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) 117, que regula o gerenciamento da fadiga dos tripulantes.
O Sindicato Nacional dos Aeronautas e o presidente da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil, Maurício Pontes, criticaram a proposta de alteração das regras, argumentando que poderia, na prática, aumentar o número de horas trabalhadas pelos tripulantes, elevando o risco de operações devido à maior fadiga e sonolência.
Pontes pediu a suspensão imediata das discussões até que estudos científicos mais aprofundados fossem realizados, apontando que a Anac estava tentando replicar modelos internacionais sem considerar as particularidades do ambiente operacional no Brasil.











