Amazonas Energia culpa ONS por apagões e vereadores cobram soluções

Concessionária aponta ONS, mas parlamentares denunciam omissão e falta de diálogo

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O gerente de operações da Amazonas Energia, Raimundo Júnior, afirmou que os apagões registrados em Manaus e na região metropolitana, nos meses de março e abril, não foram de responsabilidade da concessionária. A declaração foi feita durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (26), na Câmara Municipal de Manaus (CMM), presidida pelo vereador Eurico Tavares (PSD).

Segundo Júnior, todos os blecautes ocorreram em áreas sob responsabilidade do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e não da empresa de distribuição. O gerente apresentou aos vereadores um esquema detalhado do funcionamento do sistema elétrico atual.

A explicação mostrou que, a partir do Sistema Interligado Nacional (SIN), linhas de transmissão de 500 quilovolts (kV) seguem pelas subestações de Tucuruí, Xingu, Jurupari e Oriximiná, no Pará, e avançam até Silves e Lechuga, no Amazonas. Há também linhas de 230 kV conectando Oriximiná a Juruti (PA) e Parintins (AM), além de ligações de Lechuga com os subsistemas de Manaus.

“Qualquer processo de recomposição que ocorra nessa parte é de responsabilidade do Operador Nacional do Sistema. Nós da concessionária de distribuição não tem autonomia e nem autoridade elétrica para atuar nesse sentido”, afirmou o gerente.

Ele explicou ainda que a responsabilidade da Amazonas Energia se limita às linhas de 138 kV e 69 kV, que partem dos subsistemas João Paulo, Manaus, Jorge Teixeira e Mauá III para atender a população. Desde 2013, o Amazonas está conectado ao SIN por meio do Linhão de Tucuruí.

Atualmente, o sistema de Manaus depende 70% do SIN e 30% de agentes geradores locais, os chamados produtores independentes de energia (PIE). Júnior informou que, em casos de desconexão de Manaus com o SIN, torna-se inviável manter toda a carga em operação, sendo necessário desligar parte do sistema até a estabilização e reconexão.

Antes da integração ao SIN, o estado era atendido apenas por geradores locais, como a Usina Hidrelétrica de Balbina e usinas termelétricas espalhadas por municípios. Com a ampliação do sistema, o SIN passou a abastecer Manaus, Parintins, Iranduba, Silves, Manacapuru e Presidente Figueiredo.

Júnior garantiu que os apagões dos dias 7 e 27 de março e 2 de abril ocorreram devido ao desligamento de linhas em subestações controladas pelo ONS.

Após os pronunciamentos dos representantes da concessionária, os vereadores fizeram uma série de questionamentos, partindo desde as quedas do fornecimento de energia até os processos realizados pelos consumidores. Apesar das explicações técnicas, os vereadores cobraram medidas concretas para evitar novos apagões.

O diretor de relações institucionais da Amazonas Energia, Radyr Oliveira, respondeu aos questionamentos destacando a divisão do setor elétrico entre geração, transmissão, distribuição e comercialização.

“O questionamento é bem propício. A gente viu na apresentação do Raimundo qual foi a causa do dia 7 de abril. Um raio numa cadeia de isolador entre Jurupari e Oriximiná que tirou a linha de 500 kV. Ela desligou e desligou a cidade de Manaus. Quem dá esse diagnóstico para a gente? O Operador Nacional do Sistema, que cuida desse processo. Nós somos comandados pelo ONS de Brasília e precisamos ter o comando desse centro de operações para iniciar o processo de reestabelecimento de energia”, explicou.

Oliveira ainda admitiu falhas na comunicação da empresa com o poder público e a sociedade após a privatização da companhia, especialmente sobre as mudanças estruturais e as responsabilidades de cada ente do setor elétrico.

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