? BASTIDORES | Aliados de Garcia(vice governador) ameaçam Doria com impeachment caso fique no governo. Após imbróglio João Dória pode não disputar presidência e nem reeleição em São Paulo 

A intenção de João Doria de não renunciar ao governo de São Paulo e cumprir o mandato até o fim abriu uma guerra no PSDB. Aliados do vice-governador Rodrigo Garcia dizem que, caso confirme a especulação e fique, Doria sofrerá impeachment em tempo recorde na Assembleia Legislativa. Seria uma carnificina a céu aberto no Estado que os …

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A intenção de João Doria de não renunciar ao governo de São Paulo e cumprir o mandato até o fim abriu uma guerra no PSDB. Aliados do vice-governador Rodrigo Garcia dizem que, caso confirme a especulação e fique, Doria sofrerá impeachment em tempo recorde na Assembleia Legislativa.

Seria uma carnificina a céu aberto no Estado que os tucanos governam desde 1995 ininterruptamente — na verdade, a única seção em que o PSDB ainda é de fato um partido grande.

É claro que uma ameaça como essa reflete mais a guerra interna que a viabilidade de um processo ir adiante. O presidente da Assembleia, Carlão Pignatari, atua neste momento como bombeiro da crise, e tentaria conter o avanço de um processo caso a ameaça fosse levada adiante.

Garcia trocou o antigo DEM pelo PSDB no ano passado num movimento arquitetado pelo próprio Doria. Seu plano era ter em São Paulo uma plataforma forte para sua candidatura presidencial.

Doria desiste da Presidência e pode não disputar reeleição em SP

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse a aliados que desistiu de sua pré-candidatura à Presidência da República. Ele tampouco vai tentar a reeleição ao governo do Estado de São Paulo. Sua decisão, até o momento, é deixar a vida pública ao final do seu mandato, em dezembro deste ano.

Essa definição revoltou aliados do vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), que pressionam pela saída de Doria do cargo e falam até em impeachment. Como governador, o vice teria a mídia espontânea do cargo e possibilidade de negociar com a caneta na mão. Além disso, a avaliação é que ele teria dificuldade em se distanciar dos índices de rejeição de Doria caso ele se mantenha no governo.

A informação da desistência foi repassada para os seus auxiliares e para o vice-governador. Não houve um planejamento anterior e a equipe dele foi pega de surpresa. A manhã desta 5ª feira (31.mar.2022) está sendo de reuniões tensas no Palácio dos Bandeirantes. Aliados de Doria tentam mudar a sua decisão, mas têm pouca esperança.

Doria conquistou o direito de concorrer à Presidência pelo PSDB depois de derrotar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio nas prévias do partido, realizadas em novembro do ano passado. De lá para cá, porém, não conseguiu desarmar a resistência interna de caciques do PSDB e tampouco reduziu a sua rejeição nas pesquisas de intenção de voto.

O anúncio de Eduardo Leite de deixar o governo do Rio Grande do Sul e a indicação de que poderia, sim, disputar novamente a candidatura, tornou a situação ainda mais complicada para Doria.

Derrotado nas prévias tucanas, Leite mantinha conversas com o PSD e avaliou concorrer ao Palácio do Planalto pelo partido, mas desistiu da mudança. Ele anunciou na 2ª feira (28.fev) que renunciará ao cargo de governador e que decidiu permanecer no PSDB.

O anúncio de Doria favorece o governador gaúcho. Sem um candidato pré-definido no partido, e com a simpatia dos partidos de centro, Leite pode ser ungido candidato do grupo. Mas ainda não está claro se isso irá, de fato, ocorrrer.

Doria havia programado para esta 5ª a desincompatibilização do cargo para ser candidato a presidente. Às 16h, uma série de prefeitos tucanos estariam na sede do governo paulista.

O governador de São Paulo cancelou parte da sua agenda. Manteve só uma ida à B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Também fará um pronunciamento no Palácio dos Bandeirantes, às 16h, horário que seria realizada a cerimônia com os prefeitos.

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