O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um dilema envolvendo um dos partidos que compõem seu quadro ministerial: o União Brasil. Com a evidente cisão entre aliados a cerca da manutenção da deputada federal licenciada Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) no Ministério do Turismo, o chefe do Executivo vê aumentar a pressão para substituir a escolhida por um nome …
???? Pressão de aliados por substituição de ministra do Turismo impõe dilema a Lula e divide petistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um dilema envolvendo um dos partidos que compõem seu quadro ministerial: o União Brasil. Com a evidente cisão entre aliados a cerca da manutenção da deputada federal licenciada Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) no Ministério do Turismo, o chefe do Executivo vê aumentar a pressão para substituir a escolhida por um nome mais alinhado com a bancada na Câmara dos Deputados.
O movimento visa garantir a Lula maior apoio da legenda para as próximas votações de interesse do Planalto na Casa, como a reforma tributária, e consolidar – quase seis meses após o início do governo – uma base sólida. Por outro lado, a escolha de Carneiro para a pasta integra a cota pessoal de indicações do petista para os ministérios. Esposa do prefeito de Belford Roxo, Waguinho (Republicanos-RJ), a ministra e o marido foram importantes cabos eleitorais de Lula na Baixada Fluminense, reduto dominado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – dentro do PT, há quem diga que a vitória de Lula no segundo turno passe necessariamente pela movimentação do casal. É por isso, inclusive, que o diretório fluminense do Partido dos Trabalhadores rechaça a troca no comando da pasta.
A insatisfação de membros do partido com Daniela Carneiro também não é novidade. Parlamentares já afirmavam, desde o início do ano, que se sentiam “não representados” pela ministra e ventilavam que a escolha colocaria em risco a consolidação de apoio do partido ao Executivo. A troca no Turismo chegou a ser cogitada antes mesmo dos 100 dias de governo, mas Lula assumiu os riscos e descartou, inicialmente, a substituição, defendendo publicamente Carneiro. “Daniela foi a única deputada da Baixada Fluminense que me apoiou de verdade. Ela e o marido. E pagaram um preço muito caro ao governo anterior”, disse Lula, em março deste ano. A decisão, no entanto, minou o apoio da legenda ao governo federal e trouxe importantes reveses para o Palácio do Planalto. O União Brasil, vale dizer, votou em peso para derrubar o decreto de Lula sobre o Marco do Saneamento na Câmara dos Deputados.
Recentemente, durante votação do Marco Temporal de Demarcação das Terras Indígenas, de 50 deputados, apenas dois seguiram as orientações do governo. Na votação da Medida Provisória 1154/2023, mais conhecida como MP dos Ministérios, o União Brasil decidiu fechar acordo contra a matéria, que definiria a estrutura dos ministérios do governo Lula 3. Membros do partido também chegaram a apresentar um projeto de lei prevendo um projeto de Lei prevendo um novo regime fiscal em alternativa ao arcabouço fiscal, apresentado pelo Executivo. Na semana passada, em pedido de impeachment apresentado por parlamentares da oposição na última sexta-feira, 09, três dos signatários são deputados do partido. Agora, quase seis meses após as primeiras polêmicas envolvendo Carneiro, interlocutores e líderes do Planalto, assim como o próprio presidente, já avaliam a troca no Turismo, em uma nova tentativa de consolidar uma base pró-Lula no Congresso, especialmente na Câmara.
Fonte: Jovem Pan










