???? Brasil se nega a endossar denúncia de crimes contra a humanidade na Nicarágua de Ortega; se quer que o país seja levado a sério, Lula não deve igualar opressores e oprimidos

Há poucos dias, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o Brasil se recusou a acompanhar os mais de 50 países que denunciaram a prática de crimes contra a humanidade pela tirania de Daniel Ortega na Nicarágua. É compreensível. Como é que o Lula pode endossar uma denúncia grave como essa …

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Há poucos dias, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o Brasil se recusou a acompanhar os mais de 50 países que denunciaram a prática de crimes contra a humanidade pela tirania de Daniel Ortega na Nicarágua. É compreensível. Como é que o Lula pode endossar uma denúncia grave como essa contra um amigão que o chama de ‘irmão e companheiro’?

Pouco importa que governos esquerdistas acima de qualquer suspeita, como os do Chile e da Colômbia, firmaram o documento crítico ao regime de Ortega. Quando o esquerdismo se torna ‘doença infantil’, patologia desse lulopetismo de grêmio estudantil, qualquer manifestação de racionalidade é desde logo denunciada como ‘desvio’.

É claro que qualquer presidente brasileiro deve adotar a prudência, sobretudo em temas espinhosos, em que os interesses do País estejam em risco. Não é, porém, o caso da condenação da ditadura nicaraguense. Não cabe, aqui, falar em respeito à ‘soberania’, pois nenhum governo é soberano para massacrar seu próprio povo; nem cabe falar em respeito à ‘autodeterminação’ dos nicaraguenses, pois nenhum povo submetido a uma ditadura é capaz de determinar seu próprio futuro.

O Brasil não podia se abster neste caso, ainda que fosse sob o argumento, invocado pelo Itamaraty, de que a declaração conjunta não abria ‘canais de diálogo’ com a Nicarágua. Ora, não se pode falar em ‘diálogo’ sem que haja, antes, da parte de quem agride, a iniciativa de interromper a agressão. Não há como igualar algozes e vítimas, como faz o Brasil sob Lula.

Se Lula tem a pretensão de reposicionar o Brasil no mundo, precisa livrar-se urgentemente das amarras ideológicas que o impedem de se alinhar ao mundo civilizado quando isso é flagrantemente necessário.

Fonte: Estadão

Estamos com foco no fato.

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