???? Coluna 69 de Gabriel F. Melo | Crise fiscal pressiona BC: leilões de dólar expõem fragilidade da política econômica do governo Lula

Com o dólar ultrapassando a barreira de R$ 6,16, o Banco Central voltou a atuar no mercado à vista, vendendo US$ 1,272 bilhão nesta terça-feira, 17, em um novo leilão extraordinário. A medida, destinada a conter a escalada da moeda americana, marca a segunda intervenção consecutiva em dois dias, somando mais de US$ 5,9 bilhões …

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Com o dólar ultrapassando a barreira de R$ 6,16, o Banco Central voltou a atuar no mercado à vista, vendendo US$ 1,272 bilhão nesta terça-feira, 17, em um novo leilão extraordinário. A medida, destinada a conter a escalada da moeda americana, marca a segunda intervenção consecutiva em dois dias, somando mais de US$ 5,9 bilhões em injeções. Contudo, especialistas alertam que essa estratégia pode ter efeitos colaterais graves na economia do país no longo prazo.

Por que o BC está vendendo dólares?
A alta do dólar é impulsionada, principalmente, por incertezas em relação à política fiscal brasileira e riscos de desidratação do pacote de cortes de gastos do governo Lula. A falta de confiança no compromisso com o ajuste fiscal pressiona o câmbio, levando investidores a buscar segurança em dólares.

Para conter a depreciação do real, o Banco Central intervém vendendo dólares diretamente de suas reservas internacionais. Isso aumenta a oferta da moeda estrangeira no mercado, reduzindo, momentaneamente, a pressão sobre o preço do dólar.

Efeitos colaterais das intervenções no câmbio
Embora a venda de dólares possa ter efeito imediato no controle da cotização, essa política apresenta riscos que podem agravar a situação econômica do país:

Redução das reservas internacionais
O Brasil possui aproximadamente US$ 340 bilhões em reservas internacionais, um colchão financeiro que dá segurança em tempos de crise. Contudo, a venda constante de dólares reduz esse montante. Se a intervenção continuar em ritmo acelerado, as reservas podem diminuir a um nível preocupante, fragilizando o país em cenários de crises externas ou fuga de capitais.

Dependência de soluções de curto prazo
A intervenção cambial é apenas uma solução temporária, que não resolve os problemas estruturais que pressionam o câmbio. Enquanto o Brasil não restabelecer a confiança fiscal, a alta do dólar pode persistir, exigindo novas intervenções e criando um ciclo de dependência nas reservas internacionais.

Risco de perda de credibilidade
Se o mercado perceber que o BC está agindo de forma excessiva ou sem um plano claro de política monetária, pode haver uma perda de confiança na capacidade do país de gerenciar suas contas externas. Isso pode levar a uma fuga de investidores estrangeiros, aprofundando a pressão sobre o real.

Impacto nas contas externas
A redução de reservas também diminui a capacidade do país de enfrentar choques externos, como a alta dos juros nos Estados Unidos ou tensões geopolíticas. Com menos dólares em caixa, o Brasil fica mais vulnerável a flutuações globais e a crises cambiais.

Custo fiscal
Apesar de não ter impacto direto no orçamento, a venda de dólares compromete um ativo importante. Caso o cenário macroeconômico não melhore, o governo pode ter que adotar políticas mais austeras ou buscar outras fontes de recursos para manter as contas equilibradas.

Alternativas e soluções estruturais
Em vez de focar em intervenções constantes no mercado cambial, especialistas defendem medidas estruturais que possam reduzir a pressão sobre o real. Entre elas:

Reforma fiscal consistente: Aprovação de um pacote de medidas que assegurem a sustentabilidade das contas públicas.

Controle da dívida pública: Ações que estabilizem a dívida e transmitam segurança aos investidores.

Políticas para atração de investimentos: Incentivar investimentos estrangeiros e aumentar a entrada de dólares no país de forma sustentável.

A atuação do Banco Central ao vender dólares pode ser uma medida necessária em momentos de volatilidade extrema, mas não resolve o problema de fundo: a falta de confiança na política fiscal brasileira. Sem ajustes estruturais por parte do governo Lula, o câmbio continuará pressionado e as reservas internacionais podem se esgotar, comprometendo a capacidade do país de enfrentar turbulências econômicas futuras. O momento exige cautela e soluções sustentáveis para restabelecer a estabilidade econômica.

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