???? Derrotados nas urnas em meio à onda de renovação de 2018, muitos políticos amazonenses tradicionais buscaram manter sua influência ao longo dos dois últimos anos de olho nas eleições de 2022

Na maioria dos casos, esses “caciques” atuam nos bastidores e em seus redutos eleitorais, longe dos holofotes, para viabilizar a volta ao poder. Um dos velhos políticos que pretende disputar a eleição em 2022 no Amazonas é o ex-governador Amazonino Mendes (Cidadania), que acabou ficando em segundo lugar na disputa de 2018 com 733.366 votos …

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Na maioria dos casos, esses “caciques” atuam nos bastidores e em seus redutos eleitorais, longe dos holofotes, para viabilizar a volta ao poder.

Um dos velhos políticos que pretende disputar a eleição em 2022 no Amazonas é o ex-governador Amazonino Mendes (Cidadania), que acabou ficando em segundo lugar na disputa de 2018 com 733.366 votos (41,50%) perdendo para o atual governador Wilson Lima (União Brasil), que recebeu 1.033.950 votos ou 58,50% dos votos válidos.

Mesmo morando fora do Amazonas, Amazonino Mendes decidiu tentar, pela segunda vez, retornar ao cenário político em 2020, disputando a prefeitura de Manaus com David Almeida (Avante), que ganhou com 466.970 votos (51,27%) contra 443.747 votos (48,73%) de Amazonino Mendes, filiado ao Podemos na época, que tinha como vice, o deputado estadual, Wilker Barreto. Agora, em 2022, visivelmente debilitado, tentará seu último tiro na política, aos 82 anos de idade e com algumas doenças que ao longo dos anos afetaram sua saúde física.

Além de Amazonino, outro velho político que retornou para a disputa das eleições pleiteando uma vaga majoritária, é o também ex-governador e atualmente senador, Eduardo Braga (MDB), que por apenas três mil votos, não perdeu o Senado para o hoje candidato a senador, Luiz Castro (PDT).

Luiz Castro pouco conhecido no mundo político do Amazonas, foi prefeito de Envira por um mandato, conseguiu angariar 18,09% do eleitorado amazonense, mais de meio milhão de votos em todo o Estado, contra 565.057 (17,99%) de Eduardo à época, . Braga, assim como Amazonino, também possui derrotas no seu histórico político, tanto para a prefeitura, quanto para o governo do Estado. Sua primeira derrota foi para a prefeitura de Manaus, contra Alfredo Nascimento (PL), outro velho político que também retorna para a disputa nesta eleição, e perdeu, em 2016 o governo para José Melo (Pros). O ex-governador vive um imbróglio em torno de sua candidatura após a cassação de seu mandato, e tentará uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Falando em professor José Melo, a última peça desse tabuleiro de um grupo hegemônico que foi desfeito nos últimos anos, senador Omar Aziz (PSD), tentará reeleição para manter foro privilegiado e não correr risco de ser investigado pela Polícia Federal e demais órgãos competentes, pelo envolvimento na ‘Operação Maus Caminhos’, que desviou milhões de verba da Saúde do Estado.

No meio disso tudo, temos um velho e conhecido nome também tentando não sair da política, Arthur Virgílio Neto (PSDB), que cumpriu o último mandato à frente da prefeitura de Manaus em 2020, em meio a escândalos de suposto envolvimento de um assassinato e uma gestão turbulenta, tenta retornar ao Senado Federal. Arthur faz uma espécie de caminhada solitária nestas eleições, sem muitos aliados, apesar de, já ter protagonizado uma das maiores rivalidades da política amazonense contra Amazonino Mendes, e ter declarado apoio ao velho cacique para o governo do Estado nestas eleições, Arthur segue em uma campanha onde o foco é apenas ele.

Desestruturação

Entre derrotas para velhos e novos políticos, investigações por desvios de verba pública entre outros crimes, uma coisa esses nomes conhecidos pela maioria dos amazonenses, que acabei de citar a cima, agora têm em comum, é a rejeição da população do Amazonas, e a força das duas máquinas públicas, tanto prefeitura, quanto governo, contra suas candidaturas.

O grupo, que tinha em sua órbita o apoio de diversos prefeitos, e um grande reduto eleitoral, agora contará com pouquíssimos aliados, já que o governador Wilson Lima, nome novo na política, em uma espécie de efeito dominó, trouxe para seu lado, mais de 40 prefeitos do interior e 10 partidos que o apoiasse em sua reeleição.

De um lado teremos Amazonino Mendes com apoio de Arthur Virgílio, em busca de um lugar ao sol em cargos majoritários, governo e Senado respectivamente. Do outro, teremos Braga e Omar, que receberam a benção do ex-presidente Lula (PT), e terão o apoio do candidato que tenta retomar o poder do país novamente, após sua prisão. Ambos nos últimos anos mergulhados em uma espécie de anonimato parlamentar, após diversos escândalos, viram, durante a pandemia, uma oportunidade de ganhar protagonismo que garantisse, para Omar Aziz, mais oito anos no Senado Federal, e a Braga, uma oportunidade de retomar o poder do Estado.

O protagonismo veio, mas a baixa na rejeição não, como mostram as últimas pesquisas eleitorais divulgadas no Brasil e no Amazonas, onde Omar aparece com pouco menos de 19% da intenção de votos, na pesquisa estimulada. Já Eduardo Braga, em terceiro lugar, com apenas 17% de aprovação ao governo, atrás de Amazonino Mendes, com 28% que aparece empatado com o atual chefe do executivo do Estado.

A estratégia de ambos agora será o interior do Estado, já que na capital amazonense, estagnaram. Omar tentará a mesma estratégia usada por Braga em 2018, que venceu Luiz Castro à medida que as urnas do interior foram abertas.

Uma curiosidade aos leitores do O PODER, o maior apoiador de Amazonino, Braga e Omar Aziz, que agora está isolado de seus “ex-amigos”, José Melo, em entrevista exclusiva ao site O PODER, afirmou que após ser colocado em uma espécie de “cela” pelos “agentes políticos”, como chama seus ex-aliados, após sua cassação em 2017, o grupo formado pelos caciques se “esfacelou”.

“Todas as vezes que eu estava ao lado do Amazonino, ele nunca perdeu uma eleição. Quando fiquei do lado do Eduardo, ganhamos a eleição do Amazonino. Quando saí do ‘meio de campo’ e me colocaram em uma cela, o grupo político se esfacelou. O Eduardo perdeu a eleição, o Omar perdeu a eleição e o Amazonino perdeu a eleição”, disse Melo à época.

Além dele, Alfredo Nascimento, outra peça importante do grupo, nestas eleições fará papel de aposição. Agora no comando do Partido Liberal (PL) no Amazonas, e candidato a deputado federal. Alfredo também segue isolado do grupo dos caciques, e tenta retornar aos holofotes da política amazonense, ao subir no palanque de Wilson Lima para apoiá-lo e dar voz a Menezes, que tem como missão derrotar Omar e Artur na disputa pelo senado. Menezes com apoio integral do presidente Bolsonaro tenta, pela segunda vez, um cargo majoritário, concorreu a prefeitura em 2020 e dessa vez vem muito forte para o Senado.

Fonte: Site O Poder

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