No último mês, o governo do presidente Lula decidiu abrir o caminho da Esplanada para o centrão — liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Ao lado do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, Lula escolheu o PP e o Republicanos para ganharem um lugar ao sol no novo governo. O petista …
???? Governo pressiona centrão e condiciona cargos ao desmanche da CPI do MST

No último mês, o governo do presidente Lula decidiu abrir o caminho da Esplanada para o centrão — liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
Ao lado do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, Lula escolheu o PP e o Republicanos para ganharem um lugar ao sol no novo governo. O petista já bateu o martelo e deve entregar um ministério para cada sigla até o fim de agosto.
Lula, inclusive, analisa a hipótese de criar mais duas pastas para acomodar o centrão e continuar blindando alguns ministérios estratégicos. Em troca, os partidos deveriam desarticular a CPI do MST.
A comissão é vista como um dos principais entraves do governo na Câmara, sendo necessário acionar, até mesmo, Lira para impedir o depoimento do ministro da Casa Civil, Rui Costa.
O Republicanos e o PP também agiram rápido. Começaram o “passaralho” dos deputados mais ligados à oposição na CPI. Ao todo, sete foram substituídos. Os parlamentares nem sequer foram avisados com antecedência. Messias Donato (Republicanos-ES) ficou sabendo do desligamento por intermédio da imprensa.
No início da CPI, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) havia indicado alguns nomes para a cota do PP no colegiado — é o caso do Coronel Meira, que, apesar de integrar o PL, entrou na cota do PP.
Contudo, o PP e passou por cima do acordo feito com a FPA e substituiu até mesmo Meira no colegiado. A deputada Magda Mofatto (PL-RO) entrou na cota do Patriota, mas também foi desligada do colegiado na quarta-feira 9 sem ser avisada.
Confira os nomes que saíram:
Magda Mofatto (PL-GO);
Coronel Meira (PL-PE);
Clarissa Tércio (PP-PE);
Nicoletti (União Brasil-RO);
Alfredo Gaspar (União Brasil-AL);
Messias Donato (Republicanos-ES);
Diego Garcia (Republicanos-PR);Confira os deputados que entram:
Marreca Filho (Patriota-MA);
Átila Lira (PP-PI);
Mário Negromonte (PP-BA);
Damião Feliciano (União PB);
Carlos Henrique Gaguim (União Brasil-TO);CPI MST
O governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado, depõe na CPI do MST | Foto: Reprodução
O relator da CPI do MST, deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), disse que as investigações do colegiado não devem ser prorrogadas por mais dois meses.
A ação de Salles indica uma estratégia da oposição, que não vai ceder as rédeas da investigação para o governo. A previsão para o fim da comissão é 14 de setembro deste ano.
“Não queremos continuar a CPI desse jeito”, declarou. “Será um desserviço para a agropecuária. Quem perdeu com isso foi o agronegócio. Aliás, foi uma derrota da FPA, que tem 300 membros na Câmara dos Deputados. Foi a força dela que foi subjugada nesta CPI.”
Com a ação do centrão para substituir os membros da CPI, o governo fica com mais votos e cada vez será mais difícil de aprovar requerimentos favoráveis à oposição. Desse modo, a continuação das investigações poderia comprometer o relatório de Salles, ao entregar de bandeja o documento nas mãos do governo.
Fonte: Revista Oeste
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