????Centro de Manaus está refém da informalidade e da bandidagem, afirmam lojistas

Com o fechamento crescente de empresas e a redução dos empregos formais, aqueles que ainda resistem no Centro de Manaus enfrentam o aumento da informalidade e da criminalidade que têm se intensificado na região da capital. O Foco não encontrou dados oficiais sobre o número de empregos formais na região do Centro, mas estima-se que …

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Com o fechamento crescente de empresas e a redução dos empregos formais, aqueles que ainda resistem no Centro de Manaus enfrentam o aumento da informalidade e da criminalidade que têm se intensificado na região da capital.

O Foco não encontrou dados oficiais sobre o número de empregos formais na região do Centro, mas estima-se que haja cerca de 20 mil postos de trabalho. No entanto, lojistas mais antigos temem uma debandada, devido aos crescentes casos de furtos, ao aumento de bancas e vendedores informais em frente aos estabelecimentos formais e, principalmente, ao afastamento dos consumidores.

“Tenho uma loja nessa região há mais de 50 anos. É natural que, com a concorrência dos shoppings e o empobrecimento da população, as vendas na área comercial de Manaus caiam, mas com esse total abandono por parte do poder público, vai ficar difícil pagar os impostos, manter os empregos que ainda temos e continuar atraindo clientes. Temo que, quando as promessas de melhorias chegarem, seja tarde demais”, revelou um lojista que preferiu não ser identificado.

A opinião do lojista é compartilhada por muitos manauaras que ainda têm paixão por fazer compras no Centro de Manaus. No entanto, as calçadas sujas, quebradas, e o avanço dos vendedores ambulantes informais dificultam o acesso às lojas.

“Venho aqui porque sou teimoso e tenho carinho por essa região da cidade. Mas confesso que está cada dia mais difícil. Outro dia, presenciei um furto e fiquei com receio de retornar”, relembrou o universitário Andrew Ramos, que foi comprar uma camisa.

O mesmo sentimento foi compartilhado pela assistente social Maria José Holanda, 55, que costuma ir ao Centro para fazer compras. “Andar pelas calçadas é como fazer malabarismo, sem falar do cheiro de urina e da sujeira que fica nas calçadas. Gosto de vir aqui porque encontro tudo que eu quero, mas meu marido já pediu para eu ir ao shopping, que é menos arriscado.”

Parlamentares
O único parlamentar que se pronunciou sobre a situação crítica no Centro de Manaus foi Serafim Corrêa (PSB), quando era deputado estadual. Ele denunciou que a falta de segurança e o abandono das pessoas em situação de rua aceleraram o processo de degradação do Centro de Manaus, resultando no afastamento de comerciantes e consumidores.

“O Centro de Manaus, ao longo dos últimos 50 anos, vem sendo degradado progressivamente. E por esse processo de degradação, as empresas, as pessoas, as famílias foram saindo do Centro. E o Centro foi sendo ocupado por coisas que não são boas. Há famílias que não vão mais morar no Centro”, reclamou à época.

Membros da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA) ouvidos pelo Foco disseram que já se reuniram com representantes da prefeitura inúmeras vezes, mas que nenhuma solução foi dada. Apenas muitas promessas e sugestões, sem ações efetivas. “Parece que a prefeitura de Manaus resolveu desistir do centro da cidade e entregá-lo para a marginalidade”, disse um empresário que preferiu não ter seu nome revelado.

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