A população amazonense amanheceu novamente com as casas cobertas de fumaça, nesta quinta-feira (5). Algumas pessoas chegaram a pensar que a residência estava pegando fogo dentro da sala e cozinha. No entanto, as fumaças chegando até as casas de bairros de Manaus é reflexo da ação do homem na natureza e falta de resolução do …
????Fumaça que cobriu Manaus nesta madrugada trouxe ao nível péssimo a qualidade do ar

A população amazonense amanheceu novamente com as casas cobertas de fumaça, nesta quinta-feira (5). Algumas pessoas chegaram a pensar que a residência estava pegando fogo dentro da sala e cozinha. No entanto, as fumaças chegando até as casas de bairros de Manaus é reflexo da ação do homem na natureza e falta de resolução do poder público.

O almoxarife Edilson Lima disse que acordou de madrugada com o alto cheiro de fumaça por toda a casa. “Era quase 4h da manhã quando me levantei com o cheio forte de fumaça e fui direto na cozinha ver se tinha acontecido alguma coisa porque a fumaça estava em toda parte da casa. Eu moro na Cidade Nova e a qualidade do ar aqui estava muito ruim pela madrugada quando minha esposa precisou ir trabalhar e a rua estava encoberta. O pior nisso é que a gente não tem culpa das queimadas que estão fazendo no interior e mesmo assim ninguém faz nada”, relata ele.
Nas últimas 48 horas, o Amazonas registrou 508 focos de queimadas em todo o estado. Com isso, o Amazonas lidera o ranking nacional de queimadas, o que piora significativamente a camada de fumaça e prejudica a qualidade do ar.
Segundo o site World Air Quality Index, o ar de Manaus ainda estava em nível perigoso para a respiração humana nas primeiras horas desta quinta-feira.
De acordo com os alertas, a qualidade do ar está considerada com o nível péssimo em bairros como São Raimundo, Parque Dez, Aleixo, Adrianópolis, Aparecida, Morro da Liberdade, dentre outros.
O humorista Leandro Leitte mora no bairro São Raimundo e conta que a filha dele, recém-nascida, passou mal durante a noite devido a fumaça. “A gente mora no São Raimundo, do lado do centro e lá estava impossível de respirar , a garganta doendo e olhos ardendo. Eu tenho uma bebê recém nascida e ela chorava muito, tivemos que sair de casa e ir pra casa da minha sogra onde não tinha tanta fumaça, mas ainda sim a neném não dormiu direto à noite inteira por causa da fumaça que estava na cidade”, afirma.

Desde o início do mês de Outubro, já foram registrados 660 focos de queimadas em todo o Amazonas.
Na última quarta-feira, 4, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse em nota que através do Centro Nacional de Prevenção e Combate à Incêndios Florestais (Prevfogo) iniciou combate direto ao fogo em incêndio que ocorre no município de Iranduba, interior do estado.
Segundo o Diretor da Faculdade de Medicina da UFAM, Pneumologista Edson Andrade, as crianças e idosos serão os maiores prejudicados com a fumaça. “As crianças irão sofrer muito, os pais precisam manter as crianças em casa por conta da baixa umidade do ar nunca visto antes na nossa cidade e isso vai resultar em pessoas sofrendo nos prontos-socorros. O ideal é tomar bastante líquido, evitar exposição e se resguardar da melhor maneira possível. Essa fumaça é um problema de saúde pública”, explicou o médico.

A fumaça é sinal do alto nível de desmatamento e queimadas em municípios do interior do estado e também na região da Floresta Amazônica. As crianças e idosos são os mais prejudicados e isso pode acarretar em diversos problemas de saúde.
As densas camadas de fumaça estão atrapalhando até mesmo as viagens fluviais dentro do estado. Outra dificuldade é a estiagem, que já é uma das 10 piores já registradas.
Medidas
Após um sobrevoo em áreas afetadas pela estiagem nesta quarta-feira (5), o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que R$ 38 milhões serão usados para desassoreamento na região do Alto do Solimões e R$ 100 milhões para garantir a navegabilidade de cerca de 12 km ao longo do rio Madeira.
O nível do Rio Negro baixou mais 12 centrímetros nas útimas 24 horas e já está abaixo dos 15 m. A maior seca já registrada foi em outubro de 2010, quando o nível do rio chegou a 13,63 m.











