O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) revela o quanto foi esdrúxula a operação entre o Banco Master e o BRB envolvendo carteiras da Tirreno. Ao responder as perguntas dos investigadores, Vorcaro relata que negociou a compra dos papéis por R$ 6,7 bilhões e, quase imediatamente, os vendeu por R$ 12,2 bilhões ao …
Vorcaro admite que Master comprou R$ 6,7 bi de carteiras podres, não pagou nada e vendeu por R$ 12,2 bi ao BRB

O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) revela o quanto foi esdrúxula a operação entre o Banco Master e o BRB envolvendo carteiras da Tirreno. Ao responder as perguntas dos investigadores, Vorcaro relata que negociou a compra dos papéis por R$ 6,7 bilhões e, quase imediatamente, os vendeu por R$ 12,2 bilhões ao BRB. Apesar do BRB ter pago o valor em dinheiro, o Master não repassou nada.
Ao responder aos investigadores sobre os motivos de ter negociado com a Tirreno, uma empresa recém-inaugurada e que não tinha sequer registros de movimentação de dinheiro, Vorcaro fala de outra companhia, que estava fora do radar: a Cartos. “Na verdade, [o negócio] estava se pautando por outra empresa, que era a Cartos, que tinham expertise”, respondeu o banqueiro.
Ou seja, Vorcaro alega que confiou na Tirreno e prometeu pagar R$ 6,7 bilhões pelas carteiras porque os papéis eram oriundos da Cartos, que, segundo o banqueiro, tinha 25 anos de experiência no mercado. A Cartos, por outro lado, como revela a delegada da PF, também durante a oitiva, negou ter cedido créditos à Tirreno. Além disso, não haveria registros de pagamentos feitos pelo Master à Tirreno, mesmo após o Master ter recebido do BRB R$ 12,2 bilhões em dinheiro.
“A Tirreno, criada em dezembro, e iniciando as operações com o Banco Master, operações muito volumosas, em janeiro, em tese com créditos da Cartos. Porém, a Cartos não se reconhece como originadora dos créditos”, aponta a delegada. Depois, Vorcaro reconhece que não pagou nada dos R$ 6,7 bilhões para a Tirreno.
A delegada questionou: “O Banco Master efetivamente pagou a Tirreno pelas carteiras de crédito adquiridas no valor de 6,7 bilhões?”. Vorcaro responde: “Não, a gente não realizou a transação final, a gente fez um acordo. Uma promessa de transação que acabou não se concretizando”.
Em outro trecho, Vorcaro diz que o dinheiro pago pelo BRB “ficou” em uma conta do Master”. “A gente não liberou nenhum recurso para a Tirreno, o recurso estava dentro de casa, do Banco Master”, afirmou.
Fonte: Metrópoles











