A movimentação do coronel pode ser interpretada como tentativa de reposicionamento político para 2026
Coronel Menezes troca Bolsonaro por David e agora tenta recuperar os votos da Direita que deixou pelo caminho

Depois de romper com antigos aliados e se afastar do núcleo bolsonarista, Coronel Menezes (Avante) aposta na estrutura política de David Almeida (Avante) para tentar reconstruir uma base eleitoral que já teve endereço certo: a Direita amazonense.
A movimentação de Coronel Menezes em direção ao ex-prefeito David Almeida pode ser interpretada como muito mais do que uma simples troca de alianças. Trata-se de uma tentativa de reposicionamento político para 2026.
Durante anos, Coronel Menezes construiu seu principal patrimônio eleitoral identificado com Jair Bolsonaro (PL) e com o eleitorado conservador. Foi nesse ambiente que ganhou projeção, disputou eleições importantes e consolidou seu nome no Amazonas.
O cenário, porém, mudou.
O afastamento do PL, os conflitos internos e, principalmente, a aproximação com David Almeida colocaram Menezes em uma posição diferente daquela que marcou sua trajetória política. Agora, o desafio será convencer parte do eleitorado que o acompanhava de que a mudança de palanque não significa uma traição ao seu eleitor.
O problema para Menezes é que o espaço que antes ocupava praticamente sozinho ganhou novos protagonistas.
O deputado federal e pré-candidato ao Senado, Alberto Neto, tornou-se o principal nome do PL no Amazonas. Outros políticos passaram a disputar abertamente a identificação com o bolsonarismo, enquanto lideranças como Wilson Lima (UP) também manteve-se firme com o eleitor conservador.
Ou seja, Menezes saiu de um território onde possuía forte identidade eleitoral e agora precisa disputar novamente votos que já estiveram muito mais próximos dele.
Com estrutura partidária, presença política em Manaus e um grupo próprio, David pode oferecer a Menezes aquilo que ele precisa para permanecer competitivo: capilaridade, palanque e uma nova engrenagem eleitoral.
Mas existe uma contradição difícil de esconder.
Coronel Menezes tenta encontrar no palanque de David os votos que conquistou justamente quando estava do outro lado. Essa talvez seja uma das maiores provas eleitorais da carreira de Coronel Menezes.
Em eleições anteriores, sua identificação com Bolsonaro funcionava como um selo político facilmente reconhecido pelo eleitor. Em 2026, pertencendo ao grupo de David Almeida, Menezes terá que provar que sua força eleitoral ultrapassa essa identidade.
A pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável:
Quanto do voto de Menezes pertencia realmente a ele e quanto estava diretamente associado a Bolsonaro?
A eleição vai responder essa pergunta.
David ganha um nome conhecido e com histórico junto ao eleitorado conservador. Coronel Menezes, por sua vez, ganha estrutura para tentar reconstruir sua votação.
Só existe um detalhe: estrutura política pode ajudar a conquistar novos votos, mas não garante recuperar aqueles que se sentiram politicamente abandonados.
No fim das contas, Menezes inicia uma operação eleitoral delicada: buscar com David Almeida justamente o eleitor que votou nele justamente quando David estava do outro lado do palanque.










