Servidora da Prefeitura de Manaus é suspeita de ter ligação com o Comando Vermelho
As ligações perigosas de David Almeida e Anabela Cardoso

Apontada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) por envolvimento com o Comando Vermelho, a ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, Anabela Cardoso Freitas, movimentou mais de R$ 1,5 milhão nos últimos anos, segundo relatórios de inteligência. A ligação dela com o chefe do Executivo municipal é antiga.
A alta quantia chamou a atenção das autoridades, tendo em vista o salário que ela recebe. Anabela foi presa na última sexta-feira (20) durante a operação Erga Omnes, suspeita de integrar o chamado “núcleo político” da facção criminosa na estrutura do Estado. Os valores movimentados por ela foram divulgados pelo Radar Amazônico.
O nome de Anabela Cardoso ganhou grande repercussão e escancarou sua proximidade com o prefeito de Manaus, David Almeida. Anabela está lotada na Comissão Municipal de Licitação, com salário de R$ 4,5 mil, conforme verificado no Portal da Transparência do Executivo municipal.

Anabela também é investigadora da Polícia Civil do Amazonas desde 2011 e, conforme verificado no portal da transparência da corporação, recebe mensalmente R$ 23 mil de vencimentos.
Apesar do cargo de investigadora, Anabela acumulou cargos de confiança ligados a David Almeida ao longo dos últimos anos.
Parceria começa na Aleam
Seus vínculos com o atual prefeito de Manaus tiveram início na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Ela exerceu a função de chefe de gabinete quando David Almeida era diretor-geral em exercício da Casa.
Acompanhou David na Prefeitura
Sua aproximação com cargos ligados ao prefeito David Almeida não parou por aí. Ela foi chefe de gabinete na Casa Civil da Prefeitura de Manaus, na gestão de David Almeida, com salário mensal de R$ 22 mil.
Assessora especial no gabinete do ex-governador
Anabela Cardoso foi nomeada no dia 20 de outubro de 2023 como assessora pessoal de David Almeida no gabinete do ex-governador, uma estrutura administrativa mantida pelo Executivo estadual após o fim do mandato de governador, conforme previsto na Lei nº 4.733/2018. Veja documento abaixo.

Operação Erga Omnes
Durante a operação foram cumpridos 13 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas, além de 24 mandados de busca e apreensão nos sete estados envolvidos. Durante a ação, foram apreendidos veículos, realizadas medidas de bloqueio de contas bancárias e decretado o sequestro de valores pertencentes aos investigados e a empresas fantasmas utilizadas pelo grupo criminoso.
Conforme a autoridade policial, essas empresas eram usadas para operacionalizar o tráfico de drogas em todo o território nacional. “As drogas eram adquiridas em Tabatinga, e os valores transacionados por meio de empresas fantasmas do Amazonas e do Pará, para posterior distribuição em outros estados do Brasil”, explicou o delegado.
No curso das investigações, foi constatada a participação de agentes públicos vinculados a diferentes órgãos das esferas municipal, legislativa, executiva e, inclusive, do Poder Judiciário. Essas conexões eram fundamentais para a manutenção das atividades ilícitas.
“O nome da operação, Erga Omnes, não foi escolhido por acaso. Ela atingiu pessoas de todas as esferas. Nosso trabalho foi pautado exclusivamente nas provas constantes nos autos, que fundamentaram os pedidos de prisão dos envolvidos”, destacou Marcelo Martins.
Veja a posição da Prefeitura
Procurada pelo Foco para esclarecer se a servidora ainda está lotada no cargo, a Prefeitura informou que o prefeito David Almeida e membros da administração municipal não são investigados. Veja a nota.
A Prefeitura de Manaus esclarece que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira, 20/2, pela Polícia Civil do Estado do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.
É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos.
A atual administração mantém compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública.
Manaus não pode ser refém de ataques especulativos nem de tentativas de desinformação. A verdade prevalece nos fatos, não nas insinuações.
O que diz a Polícia
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que a investigadora não exercia atividades na instituição, pois estava lotada no Poder Executivo municipal. Questionada sobre o motivo dela continuar recebendo remuneração, não houve retorno. Veja nota
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informa que a servidora não exercia, no momento, atividades na instituição, pois ocupava cargo no Poder Executivo Municipal.
Defesa nega acusações
A defesa de Anabela Cardoso nega as acusações e afirma que “não possui qualquer relação com a organização criminosa”.
Remuneração na Polícia











